A Polícia Federal investiga a compra de uma cobertura triplex de luxo em São Paulo ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O imóvel, avaliado em cerca de R$ 22 milhões, entrou no radar dos investigadores no contexto da apuração sobre o Banco Master e sobre a atuação do parlamentar em propostas legislativas consideradas favoráveis à instituição financeira.
Segundo as informações reveladas pelo Metrópoles, a cobertura tem 514 metros quadrados, três suítes e três vagas de garagem. A compra teria sido feita por meio da CNLF Empreendimentos, empresa ligada à família do senador. Parte do pagamento teria ocorrido com a entrega de outro imóvel no mesmo edifício, avaliado em aproximadamente R$ 8 milhões, além de parcelas em dinheiro.
A PF considera relevante a relação temporal entre a negociação e a apresentação de uma emenda à PEC 65/2023. A compra foi realizada 26 dias antes de Ciro Nogueira propor a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. De acordo com a investigação, a medida poderia beneficiar instituições financeiras em dificuldade de liquidez, entre elas o Banco Master.
A proposta ficou conhecida como “emenda Master”. Conforme a Polícia Federal, o texto teria sido elaborado no âmbito do próprio Banco Master e entregue ao senador antes de ser reproduzido no Congresso. A informação consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero.
A operação avançou sobre o núcleo político da investigação na última quinta-feira (7). Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Ciro Nogueira. A medida foi autorizada pelo STF no âmbito das apurações sobre supostos crimes financeiros envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Relatórios citados na investigação também apuram supostos repasses mensais atribuídos ao grupo de Vorcaro em favor de empresas relacionadas ao senador. Conversas mencionariam uma parceria entre BRGD e CNLF, com valores que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês. Os investigadores avaliam se essas movimentações podem ter sido usadas para ocultar vantagens indevidas.
Outro ponto analisado envolve a compra de participação na Green Investimentos. Segundo a apuração, a CNLF teria adquirido por R$ 1 milhão uma fatia avaliada em cerca de R$ 13 milhões, o que, para a PF, representaria uma vantagem negocial milionária ao senador.
A defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. O senador afirmou que a compra do triplex foi feita com recursos próprios e que o imóvel poderia valer hoje cerca de R$ 30 milhões. Advogados do parlamentar também disseram que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
