O nome de Patrick César da Silva Brito, conhecido como hacker de Araçatuba, não foi localizado neste sábado (31) em consulta à lista pública de pessoas procuradas da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). Em junho deste ano, o nome e a fotografia dele apareciam na ferramenta de pesquisa da organização.
A ausência do registro na consulta pública, no entanto, não permite concluir que o alerta internacional tenha sido cancelado. A própria Interpol informa que a maioria das notificações vermelhas é destinada exclusivamente às autoridades policiais e não fica disponível para consulta pública.
A pesquisa foi realizada pela reportagem da Folha da Região na página oficial de notificações vermelhas da organização. Até o momento, não há confirmação de uma decisão formal da Interpol sobre eventual cancelamento, suspensão ou alteração da publicidade do alerta relacionado a Patrick.
O que significa não aparecer na lista
A chamada Difusão Vermelha, ou Red Notice, é um mecanismo de cooperação internacional utilizado para solicitar que autoridades policiais localizem uma pessoa procurada por um país e, conforme a legislação local, avaliem sua prisão provisória para fins de extradição ou outra medida legal.
A Interpol esclarece que uma notificação vermelha não equivale a um mandado internacional de prisão. A organização também não determina diretamente a prisão: cada país decide quais medidas adotar de acordo com suas próprias leis.
Outro ponto importante é que a lista disponível na internet não reúne todas as notificações existentes. Por isso, a ausência de um nome na ferramenta pública não comprova, por si só, que o alerta deixou de existir.
Condenação e mandados no Brasil
Conforme levantamento divulgado pela reportagem, Patrick possui ao menos quatro mandados de prisão expedidos em processos que tramitam nas 2ª e 3ª Varas Criminais de Araçatuba. A situação atual dessas ordens judiciais, incluindo eventual vigência ou alteração, depende de confirmação nos registros oficiais.
Em julho de 2026, ele foi condenado pela 3ª Vara Criminal de Araçatuba a penas que, somadas, chegam a 14 anos, 9 meses e 18 dias. A condenação envolve crimes como perseguição, coação no curso do processo, injúria, difamação e incitação ao crime.
A sentença também mencionava a condição de procurado pela Justiça e a inclusão do nome na Interpol. As informações disponíveis para esta reportagem, porém, não permitem afirmar se houve trânsito em julgado da decisão.
A defesa já havia informado que pretendia recorrer da condenação e sustentava a inocência do cliente.
Defesa diz que comunicou autoridades estrangeiras
Procurados pela reportagem, o advogado criminalista Paulo Klein e o defensor sérvio Dobrivoje Lukovic afirmaram que vêm comunicando às autoridades estrangeiras o que consideram ilegalidades nos processos judiciais contra Patrick no Brasil.
Os representantes da defesa disseram ainda que pretendem se inteirar da situação atual do registro na Interpol. Eles também destacaram a importância da atuação da organização no respeito aos direitos humanos e às regras de governança.
Até a conclusão desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre eventual mudança no alerta internacional ou sobre a situação atual dos mandados de prisão expedidos pela Justiça brasileira.

