O júri popular que ocorria nesta quinta-feira (12) no Fórum de São José do Rio Preto foi cancelado após o réu, Eduardo José de Andrade, ameaçar de morte a juíza responsável pelo caso e os sete integrantes do conselho de sentença.
O acusado, ex-policial militar, participava da sessão por videoconferência a partir do Centro de Detenção Provisória Guarulhos II, onde está preso em cela separada. Durante o julgamento, ele afirmou que “cortaria a cabeça” da magistrada, Gláucia Véspoli Oliveira, e declarou que mataria os jurados quando deixasse a prisão.
Diante das ameaças, os jurados relataram temor pela própria segurança. A juíza decidiu dissolver o conselho de sentença e encerrar a sessão. Uma nova data para o julgamento deverá ser designada.
A defesa do réu solicitou a instauração de incidente de insanidade mental, procedimento adotado quando há dúvida sobre a condição psicológica do acusado. Os advogados informaram ainda que pretendem requerer o encaminhamento dele a um hospital de custódia.
Eduardo já havia sido condenado a 29 anos de prisão por outro homicídio. No julgamento suspenso, ele respondia pela morte de Tiago de Paula, ocorrida em novembro de 2022, no município de Cedral. Conforme a denúncia, a vítima foi morta a tiros em frente à própria casa, em um crime que teria relação com dívidas envolvendo traficantes.
O ex-PM foi pronunciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também foi expulso da corporação após envolvimento nos crimes.
Durante a sessão, o réu confessou o assassinato, declarou não demonstrar arrependimento e afirmou que continuaria matando ao deixar a prisão. Ele ainda isentou o corréu, Tiago da Silva Ferreira, de participação direta no homicídio. O processo do corréu foi desmembrado e será julgado separadamente.
O caso segue sob análise da Justiça, que deverá definir os próximos encaminhamentos após o episódio que interrompeu o julgamento.
