Cinco pessoas se tornaram rés após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público no caso que apura a coleta clandestina e a comercialização de sangue de gatos em Monte Alto (SP). Três acusados respondem por maus-tratos contra seis animais e associação criminosa. Outras duas pessoas, nesta ação, são acusadas apenas de associação criminosa.
A decisão que recebeu a denúncia foi assinada em 10 de setembro pela juíza Suellen Rocha Lipolis, da 2ª Vara de Monte Alto. Com o recebimento da acusação, os denunciados passam formalmente à condição de réus e ainda deverão ser citados para apresentar defesa no processo. As acusações de maus-tratos atribuídas aos dois investigados que, nesta ação, respondem somente por associação criminosa são tratadas em outro processo.
Segundo a investigação da Polícia Civil, tutores recebiam R$ 50 para disponibilizar os gatos para a coleta. Os animais teriam sido sedados com quetamina e dexmedetomidina antes do procedimento. Conforme os autos, a retirada do sangue teria sido realizada por um estudante que, na época, cursava o segundo ano de veterinária na modalidade a distância.
Os registros analisados pela investigação indicam a retirada de 48 ml de sangue de cada animal. O material era dividido em três seringas, identificadas com o nome do gato e da respectiva tutora. Em depoimento anexado aos autos da segunda fase da apuração, uma pessoa relatou que uma bolsa contendo cerca de 50 ml de sangue era revendida por valores que variavam entre R$ 500 e R$ 800.
A Polícia Civil também identificou pagamentos relacionados à captação e ao transporte dos animais. Entre os registros mencionados no inquérito estão uma diária de R$ 180, auxílio de R$ 25 para alimentação, uma transferência via PIX de R$ 1.080 e o pagamento de R$ 400 a uma intermediária que atuava em Monte Alto.
As quantidades de gatos mencionadas ao longo da investigação, no entanto, correspondem a diferentes momentos da apuração e não representam o número de vítimas incluídas na denúncia de maus-tratos desta ação. Conforme os autos, no dia da abordagem já teria ocorrido coleta de sangue de 28 animais. Em uma viagem anterior a Monte Alto, o número teria chegado a 38. Uma mensagem de setembro de 2025 também fazia referência a uma encomenda de 25 gatos.
A acusação formal de maus-tratos recebida pela Justiça neste processo abrange seis gatos. Laudos veterinários anexados ao inquérito apontam que animais examinados estavam abaixo do peso e apresentavam sinais de desnutrição. Os documentos também registram risco de morte por hipovolemia, condição caracterizada pela redução do volume de sangue circulando no organismo.
O caso veio à tona em outubro de 2025, depois que uma mulher encontrou um anúncio oferecendo R$ 50 por gato. Ela fingiu interesse na proposta e acionou a Guarda Municipal. Durante a abordagem, os agentes localizaram escalpes, tubos destinados à coleta e bolsas armazenadas em uma caixa térmica.
Na primeira fase da investigação, três pessoas foram presas em flagrante. Posteriormente, as prisões foram revogadas, e elas passaram a responder em liberdade. A segunda fase da apuração resultou no indiciamento de cinco pessoas e, posteriormente, na apresentação da denúncia pelo Ministério Público, agora aceita pela Justiça.

