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Juiz mantém preso argentino que sugeriu levar menino negro como escravo

Decisão considerou gravidade da conduta e ausência de vínculos do investigado em Minas Gerais.

por Fabricio Oliveira
10/06/2026 às 10:33
em COTIDIANO
argentino sugere levar menino negro como escravo
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ANUNCIANTE

A Justiça de Minas Gerais manteve a prisão preventiva do argentino Eduardo Ignacio Murias, de 63 anos, acusado de injúria racial contra uma criança de 7 anos durante viagem em trem turístico entre São João del-Rei e Tiradentes. 

A decisão foi proferida pelo juiz de Direito Renan Bueno Ribeiro, da vara Criminal da Infância e da Juventude de São João del-Rei/MG, que também determinou providências para apurar denúncias de agressões físicas sofridas pelo investigado dentro da unidade prisional. As informações são do O Globo.

O magistrado rejeitou novo pedido de liberdade e entendeu que permanecem os requisitos que justificaram a prisão preventiva, decretada após o episódio ocorrido em 25 de maio. 

Mensagens sobre criança motivaram prisão

O caso ocorreu durante uma viagem no trem turístico Maria Fumaça, que liga os municípios de São João del-Rei e Tiradentes. Conforme relatado por O Globo, passageiros alertaram a mãe de um menino de 7 anos de que o argentino estaria fotografando e filmando a criança sem autorização.

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Ao verificarem o celular do estrangeiro, familiares encontraram mensagens em espanhol com referências à cor da pele do menino e comentários sobre a possibilidade de “levá-lo como escravo”. A partir da denúncia, a Polícia Civil efetuou a prisão em flagrante por injúria racial. Murias estava no Brasil como turista e tinha retorno para a Argentina previsto para o dia 30 de maio.

Ausência de vínculos

Ao analisar o pedido de revogação da prisão preventiva, o juiz considerou que continuam presentes elementos que justificam a medida cautelar. De acordo com a decisão, a gravidade da conduta investigada, o risco de reiteração criminosa e a possibilidade de fuga recomendam a manutenção da custódia. O magistrado também destacou que Murias é estrangeiro e não possui vínculos familiares, profissionais ou residência fixa em Minas Gerais.

Segundo O Globo, o juiz limitou-se a analisar os requisitos da prisão preventiva e não entrou no mérito das discussões sobre a configuração do crime ou a validade das provas reunidas na investigação.

Embora tenha mantido a prisão, o magistrado determinou a adoção de medidas para verificar relatos de agressões sofridas pelo investigado dentro do presídio. O julgador ordenou a realização de exame de corpo de delito, o registro de eventuais lesões e a adoção de providências para preservar a integridade física do argentino, incluindo a avaliação de transferência de cela.

As denúncias de violência foram apresentadas pela defesa e, segundo informações divulgadas por O Globo, serviram de fundamento para o pedido de soltura.

Recursos aguardam julgamento

A defesa aguarda o julgamento de habeas corpus apresentado ao STJ, no qual pede a libertação do argentino. Também foi requerido, alternativamente, o cumprimento da prisão em regime domiciliar com monitoramento eletrônico ou a transferência para uma unidade considerada mais segura.

Ainda segundo O Globo, também está pendente de análise no TJ/MG um recurso que questiona a legalidade da obtenção das provas extraídas do celular do investigado.

Paralelamente ao processo criminal, a família da criança pretende buscar indenização por danos morais. De acordo com o advogado que representa os familiares, o menino passou a receber acompanhamento psicológico após o episódio.

Em nota, o TJ/MG informou que recebeu o habeas corpus em 30/5/26 e negou a liminar na mesma data, mantendo pendente a análise do mérito. “O TJMG recebeu o habeas corpus em 30/5/2026 e, na mesma data, negou a liminar. O mérito do recurso ainda será analisado.

Na primeira instância, a defesa de Eduardo impetrou um pedido de revogação da prisão preventiva. O Ministério Público manifestou-se contrariamente, defendendo a manutenção da custódia cautelar. O pedido também foi negado nessa segunda-feira (8).

Em relação às supostas agressões sofridas pelo investigado no Presídio Regional de São João del-Rei, foi determinado o encaminhamento do custodiado para a realização de exame de corpo de delito complementar, bem como a adoção de medidas destinadas a garantir sua integridade física.

Também foram oficiados o diretor do Presídio Regional de São João del-Rei, o juiz corregedor da unidade prisional e o Ministério Público. O processo tramita sob segredo de Justiça.

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Fonte: Migalhas
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