O avô materno, Valdir Ferreira da Costa, e o tio materno, Guilherme da Costa, concederam uma entrevista para detalhar o andamento e os desdobramentos do caso envolvendo o pequeno Micael Davi Costa da Silva, de 2 anos, que deu entrada na Santa Casa de Araçatuba em estado gravíssimo e teve morte cerebral constatada nesta quinta-feira (22).
A principal revelação feita pelos familiares diz respeito às informações técnicas repassadas pela equipe médica da Santa Casa, que desmontam a versão de que os ferimentos da criança teriam sido provocados por um acidente doméstico, consistindo em uma queda. Eles também falaram sobre o relacionamento entre a mãe e padrasto do pequeno Micael.
De acordo com o avô Valdir, um encontro detalhado foi realizado em uma mesa redonda com médicos e enfermeiros do hospital. Na ocasião, a equipe de saúde apresentou em uma tela grande o laudo minucioso com a extensão de todos os traumas e lesões graves que Micael sofreu. “Eles me mostraram detalhes do que aconteceu com o Micael, de todos os traumas que ele teve. Eu digo mesmo que não pode ser uma queda da cama, isso é fato”, enfatizou Valdir.
Ele disse na entrevista que em conversa com a filha, ela relatou que havia saído para levar outro filho a escola, e quando retornou, encontrou Micael mole, e foi informada pelo padrasto sobre a queda, e em seguida levou a criança ao pronto-socorro. Ele afirma que sua filha jamais compactuaria com esse tipo de violência.
Apontamentos sobre o padrasto e o relacionamento
Durante a conversa com a imprensa, os familiares abordaram a dinâmica do relacionamento da mãe da criança e colocaram foco na postura do padrasto. O tio materno, Guilherme, explicou que a família desaprovava o relacionamento, mantendo uma postura firme baseada em princípios familiares, embora não tivessem como monitorar integralmente a rotina do casal.
Segundo o avô, a mãe de Micael havia relatado recentemente o desejo de romper o relacionamento. No domingo que antecedeu o agravamento da situação, a mãe teria afirmado ao pai que queria se separar e que preferia afastar-se do companheiro. Contudo, relatos posteriores indicam que o padrasto continuava frequentando o ambiente e que, mesmo após a decisão de término, circulava pelo local.
A família também relatou que a madrasta do padrasto havia mencionado anteriormente episódios em que ele proferiu ofensas e xingamentos contra Micael, fatos que até então eram desconhecidos dos avós e tios.
Busca por justiça e despedida
Os familiares ressaltaram que confiam no trabalho rigoroso da Polícia Civil e da Justiça para elucidar o que de fato aconteceu no interior da residência. Enquanto aguardam a conclusão dos laudos oficiais e os desdobramentos das investigações criminais, a família concentra forças para acompanhar os trâmites legais e prestar as devidas homenagens à criança.

