A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que sua equipe de segurança tornou uma pistola registrada em seu nome inoperante por medida de precaução. Segundo os advogados, a decisão foi tomada em razão dos efeitos de medicamentos psiquiátricos utilizados por Bolsonaro, que poderiam comprometer sua cognição e representar riscos à sua segurança.
A manifestação foi apresentada nesta quarta-feira (17) em resposta a questionamentos sobre uma arma apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal durante uma blitz realizada em Brasília. O armamento, uma pistola Glock 9mm registrada em nome do ex-presidente, era transportado por um militar que integra sua equipe de segurança.
De acordo com a defesa, os responsáveis pela segurança de Bolsonaro retiraram o percussor da arma sem seu conhecimento prévio, tornando-a incapaz de efetuar disparos. Os advogados afirmam que a medida foi adotada diante do quadro clínico do ex-presidente e dos medicamentos que vinham sendo administrados durante o período de recuperação de problemas de saúde.
Ainda segundo o documento enviado ao STF, Bolsonaro teria manuseado a pistola posteriormente e percebido que o mecanismo não funcionava de forma adequada. Após constatar a falha, ele solicitou que um dos militares responsáveis por sua segurança encaminhasse a arma para manutenção e identificação do problema.
A defesa sustenta que a entrega da pistola teve como única finalidade a realização de reparos e que não houve qualquer intenção de ocultar ou transferir o armamento. Os advogados também informaram que Bolsonaro não pretende solicitar a devolução da arma enquanto permanecer em prisão domiciliar.
A apreensão ocorreu na madrugada de segunda-feira (15), durante uma abordagem da Polícia Militar na DF-001, em Taguatinga. O veículo era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, que foi levado à 21ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos após os agentes encontrarem a arma no interior do carro.
Segundo a Polícia Militar, o militar não apresentou a documentação da pistola no momento da abordagem e informou que o armamento pertencia a terceiros. Após prestar depoimento, ele foi liberado. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, que apura a regularidade do transporte da arma e as circunstâncias da ocorrência.
Em nota, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) esclareceu que não realiza a segurança de ex-presidentes da República. O órgão informou que os servidores que atuam nessa função são indicados pelos próprios ex-presidentes e não possuem vínculo operacional com o GSI, embora recebam capacitação e avaliação da instituição.

