Uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), realizada na noite de segunda-feira (15), em Taguatinga. O caso levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a determinar que a defesa do ex-presidente apresente esclarecimentos no prazo de 24 horas.
Segundo informações da ocorrência policial, o armamento estava com Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança de Bolsonaro. O militar conduzia um veículo oficial quando foi abordado em um ponto de fiscalização na DF-001, na região do Pistão Norte. Durante a revista, os policiais encontraram duas armas no veículo: uma institucional, regularmente portada, e uma pistola Glock 9mm sem a documentação apresentada no momento da abordagem.
De acordo com o boletim de ocorrência, inicialmente o condutor informou que a arma estava vinculada à sua carteira funcional. Após consulta dos policiais, porém, foi constatado que não havia registro em seu nome. Em seguida, ele afirmou que o armamento pertencia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e que havia retirado a pistola da residência do ex-chefe do Executivo para realizar um reparo, com previsão de devolução no dia seguinte.
A propriedade da arma foi confirmada por meio de consulta ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), do Exército Brasileiro. Como o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) não foi apresentado durante a fiscalização, a ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil do Distrito Federal para análise da situação, conforme prevê o Estatuto do Desarmamento.
Após tomar conhecimento do caso, Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro esclareça as circunstâncias envolvendo o armamento. Entre os questionamentos apresentados pelo ministro estão os motivos pelos quais o ex-presidente mantinha a arma em sua residência durante o período de prisão domiciliar e a razão para o envio do equipamento para manutenção às vésperas do término do prazo inicial da medida humanitária concedida pelo STF.
Na decisão, Moraes também solicitou informações ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pelo monitoramento das medidas impostas ao ex-presidente. O ministro quer saber se os veículos que entram e saem da residência estão sendo regularmente fiscalizados, incluindo aqueles utilizados pela equipe de segurança.
Outro ponto abordado no despacho envolve os aparelhos celulares utilizados pelos agentes responsáveis pela proteção de Bolsonaro. Moraes pediu esclarecimentos sobre os procedimentos adotados para armazenamento e controle desses equipamentos fora da residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.
A Polícia Militar informou que a identificação da origem, regularidade e eventual vinculação da arma apreendida dependerá das investigações conduzidas pelos órgãos competentes. Já o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) esclareceu que não é responsável pela segurança de ex-presidentes da República e que os profissionais que atuam nessa função são de livre indicação dos próprios ex-mandatários.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Jair Bolsonaro não havia se manifestado sobre o caso.
