Eduardo Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira (15) que assinou um documento como produtor-executivo de um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de um contrato que apontava poderes sobre a gestão financeira do projeto.
O documento é datado de novembro de 2023 e foi assinado por Eduardo em janeiro de 2024. No contrato, a empresa Go Up, com sede nos Estados Unidos, aparece como produtora do filme, que inicialmente se chamaria “O Capitão do Povo”. Eduardo Bolsonaro é citado como produtor-executivo ao lado do deputado federal Mario Frias, do PL, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro.
Segundo o contrato revelado pelo Intercept, as funções de Eduardo incluíam participação em decisões estratégicas relacionadas ao financiamento do filme, preparação de documentos para investidores e apoio na busca por fontes de recursos. O texto também menciona possibilidades como incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínios.
Após a divulgação do documento, Eduardo afirmou que assinou o contrato para garantir a continuidade do trabalho de um diretor em Hollywood. Ele disse ter enviado cerca de US$ 50 mil, valor convertido a partir de R$ 350 mil, para assegurar que o diretor pudesse avançar no roteiro e no desenvolvimento inicial do projeto.
Eduardo declarou ainda que deixou a posição de produtor-executivo quando a estrutura de financiamento passou a envolver um fundo de investimentos administrado por seu advogado, Paulo Calixto. Segundo ele, a partir desse momento, sua participação ficou restrita à cessão de direitos de imagem para que pudesse ser representado no filme.
O ex-deputado também afirmou que recebeu de volta os US$ 50 mil investidos inicialmente. Ele disse que o valor foi devolvido em razão do contrato com a produtora e que o dinheiro não passou pelo fundo de investimentos.
O caso ganhou novos desdobramentos após o Intercept divulgar mensagens em que Eduardo tratava do envio de recursos aos Estados Unidos. Na quarta-feira (13), o site também revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria cobrado do banqueiro Daniel Vorcaro repasses para a produção do filme. Flávio confirmou repasses para o projeto e envio de valores a um fundo de investimentos nos Estados Unidos.
A Polícia Federal vai investigar os repasses feitos por Vorcaro para financiar o filme e apurar se os recursos foram usados para bancar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Em outra frente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, abriu uma investigação preliminar para apurar emendas parlamentares destinadas a ONGs ligadas à produtora do filme.
Em 2024, Mario Frias destinou duas emendas, que somam R$ 2 milhões, ao Instituto Conhecer Brasil. A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora de “Dark Horse” e uma das sócias da Go Up. Em nota, Frias afirmou que Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme e que ele nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento ligado ao projeto.
