A Casa Branca divulgou na quarta-feira (1º) o Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, documento anual que avalia barreiras comerciais enfrentadas por empresas dos Estados Unidos em outros países. No relatório, o governo americano apontou preocupações com políticas econômicas e regulatórias adotadas pelo Brasil.
Entre os pontos citados está o sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado e administrado pelo Banco Central do Brasil. O documento afirma que o modelo poderia favorecer serviços desenvolvidos ou incentivados pelo governo brasileiro, criando uma possível “desvantagem competitiva” para empresas internacionais de cartões de crédito, como Visa e Mastercard.
O relatório também menciona que instituições financeiras com mais de 500 mil contas ativas são obrigadas a oferecer o Pix, o que, segundo a avaliação estadunidense, poderia reduzir espaço para sistemas privados de pagamento digital. O sistema brasileiro já havia sido citado anteriormente pelo governo de Donald Trump em julho de 2025 como um possível risco para empresas americanas do setor.
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Além do tema dos pagamentos digitais, o documento aborda outras preocupações comerciais. Uma delas é a mineração ilegal de ouro, que, segundo estimativas citadas no relatório, poderia representar cerca de 28% da atividade mineradora no Brasil, criando competição considerada desleal com empresas que seguem padrões ambientais e trabalhistas.
A extração ilegal de madeira também aparece no relatório. O texto menciona estimativas de que quase metade da madeira comercializada no país seja de origem ilegal, chegando a cerca de 90% na região amazônica, com impacto sobre espécies como ipê e mogno. Segundo o documento, essa situação poderia afetar cadeias globais de suprimento e empresas que adotam práticas certificadas.
O relatório ainda cita preocupações regulatórias em outros setores. Entre elas estão a ausência de uma proibição explícita à importação de produtos feitos com trabalho forçado, o Projeto de Lei dos Mercados Digitais, que prevê multas de até 20% do faturamento global de empresas de tecnologia, e o atraso na regulamentação de pontos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Outros temas mencionados incluem o debate sobre a taxa de uso de rede, que envolve empresas de telecomunicações e plataformas digitais, e regras aplicadas a operadores de satélites, que, segundo o relatório, poderiam impor taxas mais altas e licenças não exclusivas a companhias estrangeiras em comparação com empresas brasileiras.
