O ano letivo da rede estadual de São Paulo começa nesta segunda-feira (2) com uma novidade para parte dos alunos: 100 escolas passam a adotar o modelo cívico-militar em diferentes regiões do estado. As unidades estão distribuídas pela capital, região metropolitana, litoral e interior, abrangendo 88 municípios, e foram escolhidas após consulta pública com participação das comunidades escolares.
O processo de escolha envolveu pais ou responsáveis por alunos menores de 16 anos, estudantes a partir dessa idade e profissionais das unidades de ensino. A adesão ao programa Escola Cívico-Militar (ECM) foi definida com base no voto desses grupos, respeitando a autonomia de cada comunidade escolar.
Apesar da mudança no modelo de gestão, as escolas seguem o Currículo Paulista, a carga horária regular — parcial ou integral —, além das avaliações e projetos pedagógicos definidos pela Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP). A principal diferença está no apoio de policiais militares da reserva, que atuam como monitores em atividades voltadas à disciplina, segurança, acolhimento e promoção de valores cívicos.
Os monitores foram selecionados por meio de avaliação de títulos e documentos e passam por um processo contínuo de acompanhamento. O desempenho é avaliado semestralmente por diretores e alunos, o que define a permanência dos profissionais no programa. Antes de iniciarem as atividades, todos participam de um curso de capacitação com carga mínima de 40 horas, abordando temas como psicologia escolar, cultura de paz, segurança no ambiente educacional e desafios contemporâneos.
Segundo o secretário estadual da Educação, Renato Feder, o programa amplia as opções oferecidas às famílias. “Nossa rede é diversa e buscamos atender diferentes perfis, respeitando o que cada comunidade entende como melhor para seus filhos. A distribuição das escolas também priorizou regiões com Índice de Desenvolvimento Humano abaixo das médias estadual e nacional”, afirmou.
Para garantir um ambiente equilibrado, as escolas contam com um regimento interno próprio. O documento estabelece regras de convivência baseadas no respeito mútuo e na responsabilidade, sem restringir a liberdade de expressão dos estudantes. As decisões administrativas e pedagógicas seguem sob responsabilidade dos diretores nomeados pela Seduc-SP.
A proposta, segundo a secretaria, é fortalecer o vínculo dos alunos com a escola e incentivar atitudes éticas e respeitosas. “Disciplina não significa rigor excessivo. Queremos formar cidadãos conscientes, capazes de conviver de forma saudável e respeitosa”, reforçou Feder.
