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BENDITA LÍNGUA

Fazer uma chupeta

Professor Hélio Consolaro explica que a língua é um ser vivo em constante evolução, conforme a vontade de seus usuários

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Então, a viatura da polícia não tinha partida. Várias tentativas e nada! Não havia disponível “um fio de transferência de energia automotiva”.

O policial foi a uma fabriqueta nas imediações à procura de tal fio. Chegando lá, só mulheres. E ele pediu:

– Vocês não têm um fio de transferência de energia automotiva?

Entreolharam-se com um risinho maroto, e uma delas perguntou:

– O senhor quer fazer uma chupeta?

E riram. O soldado explicou:

– Isso mesmo. A viatura não tem partida. Eu queria falar chupeta, mas achei chato.

E todos riram.

Vamos pôr o assunto na mesa, caro leitor?

Chupeta é um objeto com ponta arredondada de borracha que se dá a bebês para chupar. Quer coisa mais inocente! Mas também significa sexo oral praticado na genitália masculina.

Como também é “um recurso provisório para dar a partida no motor de um veículo automotor cuja bateria esteja descarregada e que consiste em ligar esta bateria à de um outro veículo em perfeitas condições”.  Chupar energia de outra bateria.

Conclusão: a língua é um ser vivo em constante evolução, conforme a vontade de seus usuários. Os gramáticos e professores de Português são policiais que agem para que o português não se diversifique muito e perca sua condição de código.

*Hélio Consolaro é professor de Português e colunista do Regional Press

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Resenha, resenhar

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O substantivo “resenha” e o verbo “resenhar” têm sentidos diferentes em vários segmentos profissionais.

Nos programas esportivos, usa-se a palavra no sentido de notícia (noticiar), relato (relatar), comentário (comentar).

A imagem na TV apresenta atletas numa roda de jogadores no meio do campo, com um deles falando aos demais, e o narrador, que quer demonstrar riqueza vocabular, diz que o jogador tal está resenhando o jogo para os colegas.

Como sou da área da literatura e gosto de resenhar livros lidos, a palavra (tanto verbo, como substantivo) tem outro significado, ou seja, análise crítica ou informativa de um livro. Existem normas técnicas de como montar uma resenha, tanto de livros como de filmes.

O dicionário de português Houaiss apresenta os seguintes sinônimos para resenha: descrição, enumeração, exposição, levantamento, narração, notícia, panorama, recensão, relação, relato, revista.

 

Hélio Consolaro é professor de português.

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Não existe vítima fatal

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No jornalismo, ainda persistem no emprego da expressão “vítima fatal”. Fatal significa “que leva à morte”. Quem foi fatal, então, foi o acidente; a vítima não causou a morte, não matou ninguém.

A expressão já está popularizada com a ideia de que determinada pessoa morreu, a única vítima fatal é quando um cara está limpando a janela, perde o equilíbrio e cai do décimo andar.

CORRETO: No acidente, houve uma vítima “que perdeu a vida”, ou “morreu” ou ainda “vítima mortal”.

 

Hélio Consolaro é professor de Português.

 

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Tchutchuca e Tigrão

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Zeca Dirceu e o ministro Paulo Guedes discutiram durante debate sobre a reforma da Previdência

A expressão “Tchutchuca e Tigrão”  foi recentemente usada pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR) ao se referir ao ministro Paulo Guedes num debate sobre a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados: a analogia entre a força do “tigrão” e a submissão da “tchutchuca”, usada pelo deputado, provocou um chilique do ministro.

Ela foi criada em 2001 pelos funqueiros do Bonde do Tigrão. Trata-se de palavras da linguagem classificada de chula, usada por pobres, desclassificados. Quem abominou o uso de tais palavras num parlamento tem uma visão elitista da língua, classificando seus elementos de acordo com a classe social que os usa.

Um político, seja ele de qualquer partido, para explicar suas ideias num momento de discussão fervorosa pode usar a linguagem chula, a linguagem que seu povo vai entender. Não pode abusar, mas quando necessário…

 

 

 

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