O estado de São Paulo registrou 188 feminicídios entre janeiro e setembro de 2026, o maior número de casos para os nove primeiros meses do ano desde o início da série histórica, em 2018. Os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) foram divulgados na sexta-feira (30) e mostram que o total supera em 1,6% o registrado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 185 ocorrências.
O levantamento revela uma tendência de crescimento dos feminicídios no estado ao longo dos últimos anos. Em 2018, foram registrados 95 casos entre janeiro e setembro. Em 2019, o número subiu para 107 e chegou a 123 em 2020. No ano seguinte, houve uma redução para 107 ocorrências.
A partir de 2022, os registros voltaram a aumentar. Naquele ano, foram 132 casos, número que passou para 166 em 2023, 176 em 2024 e 185 em 2025. Com os 188 registros de 2026, o total ficou 97,9% acima do observado em 2018, considerando sempre os mesmos nove meses.
Fevereiro e março concentraram mais casos
Na distribuição mensal de 2026, fevereiro e março apresentaram os maiores números, com 30 feminicídios registrados em cada mês. Janeiro teve 27 ocorrências, seguido por abril, com 20; maio, com 18; e junho, com 17.
Em julho, foram contabilizados nove casos. Nos dois meses seguintes, os registros voltaram a subir: agosto teve 19 ocorrências e setembro, 18.
Na comparação com os mesmos meses de 2025, houve aumento em cinco dos nove períodos analisados. As diferenças mais expressivas ocorreram em fevereiro, quando os registros passaram de 20 para 30, e em março, que subiu de 19 para 30 casos.
Por outro lado, julho apresentou a maior redução na comparação anual: foram nove ocorrências em 2026, contra 24 no mesmo mês do ano passado. Também houve diminuição em abril, maio e junho.
Medidas de prevenção e atendimento
Em nota sobre os dados, a Secretaria da Segurança Pública informou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma das prioridades do governo estadual. A pasta afirmou que, entre janeiro e setembro de 2026, foram realizadas 96 prisões em flagrante por feminicídio.
No mesmo período, as prisões em flagrante por violência doméstica aumentaram 28,5%, chegando a 17.082. Segundo a secretaria, desde o início da atual gestão, cerca de 64 mil pessoas foram presas em flagrante por esse tipo de violência.
A SSP também informou que mais de 115,7 mil medidas protetivas foram solicitadas e encaminhadas à Justiça nos primeiros nove meses deste ano. O número representa crescimento de 10% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
De acordo com a pasta, a rede de atendimento policial especializado passou de 202 para 379 unidades, entre Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e salas especializadas. Atualmente, são 144 DDMs, das quais 39 funcionam 24 horas, além de 240 salas DDM. Desde 2023, as equipes das delegacias especializadas receberam 774 novos policiais.
Aplicativo e canais de atendimento
Entre as ferramentas de proteção citadas pelo governo estadual está a Cabine Lilás, serviço da Polícia Militar que, segundo a SSP, já realizou mais de 39 mil atendimentos especializados. As ações resultaram em 157 prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.
O aplicativo SP Mulher Segura reúne 89,1 mil usuárias e contabiliza 23,1 mil acionamentos do botão do pânico, conforme os dados divulgados pela secretaria. Já o programa Transporte Seguro realizou 1,3 mil viagens para encaminhar vítimas a serviços de proteção.
A estrutura também inclui a Patrulha SP Mulher Segura, o monitoramento eletrônico de agressores e as Salas Lilás dos Institutos Médicos Legais (IMLs), destinadas ao acolhimento reservado de mulheres vítimas de violência.
Em situações de emergência, a orientação da SSP é ligar para o telefone 190. Denúncias e pedidos de ajuda também podem ser feitos pela Delegacia de Defesa da Mulher Online e pelo aplicativo SP Mulher Segura.

