A Polícia Civil de Araçatuba investiga dois novos casos de estelionato praticados por meio do chamado golpe do falso advogado. As ocorrências foram registradas na segunda-feira (5), na Central de Polícia Judiciária (CPJ), e envolvem duas mulheres, de 72 e 60 anos, que foram convencidas a realizar transferências e pagamentos após receberem falsas informações sobre valores que teriam direito a receber por meio de processos judiciais.
Nos dois episódios, os criminosos utilizaram o WhatsApp para fazer a abordagem e recorreram a documentos com aparência oficial e videochamadas para aumentar a credibilidade das histórias. Em uma das ocorrências, um dos envolvidos se apresentou como promotor de Justiça. Na outra, um homem afirmou ser juiz.
O método utilizado nos casos de Araçatuba é semelhante ao identificado em outras investigações realizadas no estado de São Paulo. Segundo a OAB-SP, criminosos costumam utilizar dados reais de processos, nomes e fotografias de advogados para abordar pessoas que efetivamente possuem ações na Justiça. A entidade mantém uma força-tarefa específica para combater esse tipo de fraude.
Suposta indenização de R$ 25 mil
No primeiro caso registrado em Araçatuba, uma mulher de 72 anos, moradora do Jardim Sumaré, recebeu uma mensagem de uma pessoa que se apresentou como sua advogada.
Posteriormente, a vítima participou de uma videochamada com outro homem, que afirmou ser promotor de Justiça. Durante a conversa, ele disse que a aposentadoria dela havia sido deferida e que existiria uma indenização de R$ 25 mil a ser recebida.
Os criminosos então informaram que, para que o suposto pagamento fosse liberado, a conta bancária da mulher precisaria ficar sem saldo.
Acreditando na informação, ela transferiu R$ 12.999 para a conta do marido, também aposentado, de 71 anos. Na sequência, segundo o registro policial, foram realizadas outras transferências a partir da conta do aposentado para empresas atacadistas.
As movimentações chegaram a aproximadamente R$ 35 mil.
A fraude começou a ser percebida quando os criminosos passaram a exigir também valores que estavam aplicados e a utilização dos limites disponíveis nos cartões de crédito.
Desconfiada, a vítima procurou a instituição financeira para tentar bloquear as operações e, posteriormente, comunicou o caso à Polícia Civil.
Falso advogado usou identidade de profissional real
O segundo caso envolve uma técnica em enfermagem de 60 anos, moradora do bairro Monte Carlo.
Ela também recebeu contato pelo WhatsApp. Nesse episódio, o criminoso utilizava o nome e a fotografia do verdadeiro advogado da vítima, estratégia que ajudou a transmitir uma aparência de autenticidade à conversa.
O golpista afirmou que havia sido obtida uma decisão favorável em um processo envolvendo valores relacionados à URV, sigla de Unidade Real de Valor, e disse que a mulher teria cerca de R$ 8 mil para receber.
Para sustentar a história, foi encaminhada à vítima uma suposta decisão judicial. Depois, ela participou de uma videochamada com outro homem, que se apresentou como juiz.
Seguindo as orientações recebidas, a mulher foi até uma agência bancária e utilizou um terminal de autoatendimento. No local, realizou uma transferência bancária de R$ 2 mil por TED e pagou um boleto de R$ 999,99.
A vítima percebeu que havia sido enganada somente depois de concluir as operações.
Golpe utiliza aparência de processos reais
O chamado golpe do falso advogado ganhou atenção das autoridades nos últimos anos justamente pela capacidade dos criminosos de reunir informações verdadeiras para construir uma fraude convincente.
Em março deste ano, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra uma estrutura especializada nesse tipo de crime. Segundo a Agência SP, os investigados utilizavam informações judiciais para identificar possíveis vítimas e informar falsamente sobre a existência de valores a receber.
Em outra investigação divulgada pela Polícia Civil, uma central clandestina mantinha divisão de tarefas e estrutura tecnológica para realizar abordagens e aplicar golpes.
A OAB-SP também alerta que uma das características da fraude é a utilização de informações verdadeiras sobre processos, combinadas com pedidos de pagamentos ou transferências para supostamente liberar valores judiciais.
Os dois casos registrados em Araçatuba serão investigados pela Polícia Civil. Até o momento, não havia informação divulgada sobre a identificação ou prisão dos responsáveis pelas fraudes.

