Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar podem registrar um boletim de ocorrência pela internet em São Paulo, sem a necessidade de comparecer inicialmente a uma delegacia. O serviço é disponibilizado pela Polícia Civil por meio da Delegacia Eletrônica e pode ser utilizado para fatos ocorridos no território paulista.
A ferramenta permite comunicar a ocorrência e, atualmente, também integra mecanismos para solicitação de medidas protetivas de urgência. O registro digital é analisado pela Polícia Civil e encaminhado à unidade responsável pelo local onde o fato aconteceu.
Como fazer o registro
Para iniciar o procedimento, a vítima deve acessar a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo e selecionar a opção “Comunicar Ocorrência”. Depois, deve escolher a modalidade relacionada à violência doméstica contra a mulher.
O sistema apresenta um formulário específico para o registro. É necessário preencher os dados solicitados e relatar o que aconteceu, incluindo, sempre que possível, informações como local, data, horário e circunstâncias da violência.
Também podem ser solicitados dados referentes à vítima, ao autor, a eventuais testemunhas e a medidas protetivas existentes. A orientação é fazer uma descrição objetiva dos fatos, baseada nas informações que a vítima possui.
A Delegacia Eletrônica funciona 24 horas por dia e o serviço é gratuito.
O que acontece depois
Depois do envio, o boletim passa por análise da Polícia Civil. A ocorrência é direcionada para a unidade policial responsável pela área onde o fato ocorreu, que poderá adotar as providências necessárias para a investigação.
A equipe policial também pode entrar em contato com a pessoa que realizou o registro para solicitar esclarecimentos ou informações complementares. De acordo com a Polícia Civil, em determinadas situações, policiais civis devidamente identificados podem realizar uma entrevista presencial com a vítima.
O boletim de ocorrência registrado pela plataforma digital é um documento oficial.
É possível pedir medida protetiva?
Sim. A Polícia Civil de São Paulo informa que o atendimento relacionado à violência doméstica permite também a solicitação de medidas protetivas de urgência.
O procedimento inclui um formulário de avaliação de risco, cujas informações podem ser encaminhadas ao Poder Judiciário para análise de eventual pedido de proteção.
A medida protetiva é analisada pelas autoridades competentes conforme as circunstâncias apresentadas no caso.
Além da Delegacia Eletrônica, o Estado disponibiliza o aplicativo SP Mulher Segura, que permite registrar ocorrências e solicitar medidas protetivas. Para mulheres que já possuem medida protetiva concedida pela Justiça, o aplicativo também oferece um botão de emergência.
Registro online não substitui emergência
O registro pela internet não deve ser utilizado quando a violência estiver acontecendo naquele momento ou existir risco imediato à integridade física ou à vida.
Nessas situações, a orientação é procurar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo 190. O Estado também mantém a Cabine Lilás, estrutura especializada para atendimento de mulheres vítimas de violência por meio do serviço de emergência.
A Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, também funciona como canal de orientação e denúncia.
Quando procurar uma delegacia
A vítima pode procurar presencialmente uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou qualquer unidade da Polícia Civil. A ocorrência de violência doméstica pode ser registrada mesmo em uma delegacia que não seja especializada.
São Paulo também conta com Salas DDM instaladas em unidades policiais, permitindo atendimento especializado por videoconferência em locais onde a Delegacia da Mulher não funciona 24 horas. Segundo informações divulgadas pelo governo paulista em agosto de 2026, o estado possui 144 DDMs e 235 Salas DDM 24 horas.
Crimes que não podem ser registrados pela internet
Nem todas as ocorrências podem ser comunicadas pela Delegacia Eletrônica. Entre os crimes que exigem atendimento presencial estão estupro, homicídio e latrocínio.
Nessas situações, a orientação oficial é procurar imediatamente uma unidade policial para registrar a ocorrência presencialmente.
Canais de atendimento
Emergência policial: 190
Central de Atendimento à Mulher: 180
Delegacia Eletrônica: serviço online da Polícia Civil de São Paulo
Aplicativo: SP Mulher Segura
Em situações de risco, a prioridade deve ser buscar um local seguro e acionar os serviços de emergência. O registro eletrônico é uma alternativa para comunicar a violência e iniciar os procedimentos policiais quando as circunstâncias permitirem.

