A história de Laís Machado Celoni, menina de 3 anos que morreu em junho de 2025 e teve os órgãos doados pela família, passou a integrar oficialmente as ações de conscientização sobre transplantes em Araçatuba. A Prefeitura apresentou nesta quinta-feira (24), durante cerimônia no Salão Azul do Paço Municipal, a Lei Municipal nº 9.122, de 2 de setembro de 2026, que institui o Dia Municipal de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos, denominado Lei Laís Machado Celoni.
A nova legislação estabelece o dia 27 de setembro como data anual para ações de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. A data passa a fazer parte do Calendário de Eventos de Araçatuba e coincide com o Dia Nacional da Doação de Órgãos, instituído pela Lei Federal nº 11.584/2007.
A cerimônia reuniu autoridades municipais, profissionais da área da saúde, representantes ligados à doação e aos transplantes, além de familiares e amigos de Laís.
Participaram da mesa o prefeito Lucas Zanatta, a primeira-dama Priscila Zanatta, a vice-prefeita Nice Zucon, a secretária municipal de Saúde Lucila Bistaffa, o provedor da Santa Casa de Araçatuba, Éverton Santos, e Aline Adriane Machado Celoni, mãe de Laís.
Durante o evento, os enfermeiros Cristiani Jesus dos Santos e Matheus Araújo Tonon, integrantes da Equipe Hospitalar de Doação para Transplante (E-DOT) da Santa Casa, explicaram aspectos relacionados ao processo de doação e destacaram a importância de levar informações claras à população.
Lei prevê ações de conscientização
A legislação tem caráter educativo e informativo. Entre seus objetivos estão ampliar o conhecimento da população sobre a doação para transplantes, estimular o diálogo entre familiares e fortalecer ações de conscientização.
O texto também prevê iniciativas de combate à desinformação e a possibilidade de cooperação entre o Poder Público, hospitais, instituições de ensino e entidades da sociedade civil.
Outra diretriz é o acolhimento e a orientação às famílias de potenciais doadores.
A Prefeitura poderá promover campanhas, palestras, seminários e atividades comunitárias, além de disponibilizar materiais informativos em unidades e repartições públicas. A lei também permite a realização de parcerias e a divulgação de conteúdos educativos pelos canais institucionais.
Está prevista ainda a possibilidade de capacitação de profissionais de saúde para atuação nas áreas de comunicação, acolhimento e orientação às famílias.
As ações deverão ser integradas às políticas e programas já existentes, respeitando a legislação vigente e a disponibilidade orçamentária, sem criação de estruturas ou despesas consideradas desnecessárias.
Doação depende da família
A lei municipal não obriga ninguém a se tornar doador. A doação de órgãos é voluntária e, no caso de pessoas falecidas, a autorização da família é necessária para que o procedimento seja realizado. O Ministério da Saúde também reforça a importância de manifestar a vontade de doar e conversar previamente com os familiares.
Por isso, uma das propostas da legislação de Araçatuba é justamente ampliar o diálogo dentro das famílias e facilitar o acesso a informações oficiais sobre o processo.
A história de Laís
Laís Machado Celoni tinha 3 anos quando morreu, em junho de 2025. Após a confirmação da morte encefálica, os pais, Aline Adriane Machado Celoni e João Paulo de Oliveira Celoni, decidiram autorizar a doação dos órgãos da filha.
Segundo as informações divulgadas pela Prefeitura, o coração e os rins da menina foram destinados a transplantes e beneficiaram três crianças.
Desde a morte da filha, Aline passou a compartilhar a história de Laís e a falar publicamente sobre a importância da doação de órgãos, especialmente no caso de crianças.
A história da família já havia sido destacada durante o desfile de 7 de Setembro em Araçatuba, quando os pais receberam uma homenagem pelo gesto de autorizar a doação dos órgãos da filha.
“Árvore da Vida”
No encerramento da cerimônia desta quinta-feira, Aline conduziu uma atividade simbólica. Os participantes escreveram palavras em folhas artificiais e as colocaram em uma “Árvore da Vida”, em referência às vidas que podem continuar por meio da doação de órgãos.
A nova data municipal será celebrada anualmente em 27 de setembro, em conjunto com o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A proposta aprovada pelo Legislativo municipal estabelece a integração das ações às políticas públicas já existentes em Araçatuba.

