O advogado criminalista Daniel Madeira, de Araçatuba (SP), registrou um boletim de ocorrência nesta terça-feira (1º) após criminosos utilizarem sua identidade para tentar aplicar golpes contra clientes por meio do WhatsApp. O caso foi descoberto depois que algumas pessoas procuraram diretamente o profissional para confirmar a autenticidade das mensagens recebidas.
Este é o segundo registro policial feito pelo advogado em menos de um mês relacionado a tentativas do chamado golpe do falso advogado.
Segundo o relato apresentado à polícia, os criminosos criaram um perfil utilizando a fotografia de Daniel Madeira e passaram a entrar em contato com clientes como se fossem o próprio advogado. O número informado no boletim de ocorrência como utilizado pelos suspeitos é (18) 99620-4530.
As mensagens tinham como objetivo obter documentos e informações relacionadas a processos judiciais. De acordo com o advogado, a abordagem também poderia abrir caminho para solicitações financeiras fraudulentas.
Alguns clientes chegaram a ser procurados pelos estelionatários, mas a fraude foi identificada depois que as pessoas desconfiaram das mensagens e buscaram confirmação diretamente no escritório.
Diante da situação, o profissional orientou os clientes a não fornecer documentos, dados pessoais ou realizar pagamentos antes de confirmar a solicitação por meio dos canais oficiais do escritório.
“Qualquer mensagem pedindo documentos ou valores por aplicativo ou rede social é golpe. Meus clientes podem me procurar pessoalmente no escritório para confirmar qualquer informação”, afirmou o advogado.
Como funciona o golpe
O chamado golpe do falso advogado tem sido alvo de alertas de tribunais, polícias e da Ordem dos Advogados do Brasil. Na fraude, criminosos utilizam nomes, fotografias e até informações verdadeiras de processos judiciais para se apresentar como advogados ou funcionários de escritórios.
Em muitos casos, a abordagem ocorre pelo WhatsApp. O golpista informa à vítima que houve uma decisão favorável no processo ou que determinado valor está disponível para recebimento. Em seguida, cria uma situação de urgência e solicita o pagamento de supostas custas, taxas ou outras despesas para liberar o dinheiro.
A utilização de informações reais do processo aumenta a aparência de legitimidade da abordagem e pode dificultar a identificação imediata da fraude. A Polícia Civil e órgãos do Judiciário já registraram investigações envolvendo esse tipo de esquema.
Em fevereiro deste ano, a OAB São Paulo informou ter contabilizado 4.388 denúncias relacionadas ao golpe do falso advogado no Estado em pouco mais de um ano e meio. A entidade também criou ações específicas para combater a utilização indevida da identidade de profissionais da advocacia.
O problema também motivou ações policiais. Em março, a Polícia Civil de São Paulo prendeu quatro suspeitos investigados por aplicar golpes contra pessoas que tinham processos judiciais. Segundo a investigação divulgada pela Agência Brasil, os criminosos utilizavam informações de ações reais e fotografias dos advogados para convencer as vítimas a realizar pagamentos via Pix.
Como evitar cair no golpe
A principal orientação é não realizar pagamentos ou fornecer documentos apenas porque a solicitação veio de um número que utiliza o nome ou a foto do advogado.
Antes de qualquer transferência, o cliente deve entrar em contato com o profissional por um canal oficial já conhecido ou procurar pessoalmente o escritório. Também é recomendável desconfiar de mensagens que criem urgência para exigir depósitos ou transferências.
Outras medidas recomendadas pelas autoridades incluem:
- não fazer Pix ou outras transferências sem confirmar a solicitação;
- não enviar documentos, senhas ou dados bancários pelo WhatsApp;
- guardar prints das conversas e o número utilizado pelo suspeito;
- conferir diretamente com o advogado qualquer informação sobre pagamentos ou liberação de valores;
- registrar boletim de ocorrência diante de uma tentativa ou consumação do golpe.
A OAB também disponibiliza a plataforma ConfirmADV, que permite verificar a identidade profissional de advogados a partir dos dados de inscrição na entidade. Segundo o Conselho Federal da OAB, a ferramenta havia ultrapassado 32 mil verificações até abril de 2026.
Caso a pessoa perceba que está sendo vítima de uma fraude, a orientação é interromper o contato, preservar as provas e procurar a polícia para registrar a ocorrência. A OAB recomenda ainda que advogados e vítimas informem os números telefônicos utilizados pelos golpistas para auxiliar na apuração dos casos.
No caso registrado em Araçatuba, o boletim de ocorrência formaliza a nova tentativa de utilização indevida da identidade do advogado. As circunstâncias e a eventual identificação dos responsáveis dependem da investigação policial.

