O uso de inteligência artificial no programa Muralha Paulista, do Governo de São Paulo, já contribuiu para a localização de veículos roubados ou furtados, identificação de pessoas procuradas pela Justiça, esclarecimento de homicídios e prisão de suspeitos envolvidos em crimes, incluindo ocorrências relacionadas ao tráfico internacional de drogas. Atualmente, a plataforma reúne mais de 125,5 mil sensores e câmeras integrados em todo o estado e, segundo o governo paulista, mais de 15 mil infratores já foram presos com auxílio do sistema.
A tecnologia é empregada principalmente na leitura automática de placas e no reconhecimento facial. De acordo com o coronel da Polícia Militar Carlos Lucena, coordenador-geral do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da PM de São Paulo, os recursos permitem identificar veículos com registros criminais e pessoas procuradas, gerando alertas para as equipes policiais.
“A tecnologia permite identificar veículos roubados ou furtados e pessoas procuradas pela Justiça, gerando informações que podem ser utilizadas pelas equipes policiais para localizar os alvos”, explicou o oficial.
Como funciona
Na sede do CICC, na capital paulista, uma estrutura dedicada ao Muralha Paulista está conectada às cabines dos 11 Centros de Operações da Polícia Militar (COPOMs) distribuídos pelo estado.
Quando uma câmera ou sensor identifica um veículo roubado ou furtado, ou uma pessoa procurada pela Justiça, o alerta é encaminhado para a equipe policial mais próxima. A partir dessas informações, os agentes podem realizar a abordagem e verificar a situação.
Segundo o coordenador-geral do CICC, o sistema também permite acompanhar a movimentação de veículos identificados pelas câmeras. Em determinadas situações, a tecnologia pode auxiliar na reconstrução do trajeto de um automóvel e indicar locais onde uma pessoa embarcou ou desembarcou.
A integração desses dados amplia a capacidade de acompanhamento das ocorrências e permite que as forças de segurança tenham mais informações para planejar a atuação policial.
“Quanto mais câmera, quanto mais sensor, é mais fácil ter a rastreabilidade de dados, de números e de colocar em eficácia um plano de policiamento inteligente”, afirmou Lucena.
Expansão pelo estado
A adesão ao Muralha Paulista já foi iniciada por 613 municípios, dos quais 231 estão totalmente integrados ao programa. De acordo com os dados apresentados pelo Governo de São Paulo, a rede alcança cerca de 80% da população paulista, o equivalente a aproximadamente 37,6 milhões de pessoas.
O sistema também pode receber imagens de câmeras particulares. Cidadãos e empresas podem cadastrar equipamentos voltados para áreas externas e compartilhar as imagens com a plataforma. Segundo o governo estadual, a adesão é gratuita.
Atualmente, 443 colaboradores de 216 municípios participam dessa modalidade de integração.
Além dos equipamentos particulares, o programa também recebe imagens de câmeras instaladas em estações do Metrô. São 57 estações conectadas ao sistema, com 266 câmeras integradas.
Monitoramento em eventos e uso de drones
A estrutura também passou a ser utilizada em grandes eventos, incluindo partidas de futebol. Segundo o Governo de São Paulo, aproximadamente 3 milhões de torcedores já foram fiscalizados com apoio do sistema.
Outra frente de expansão envolve imagens aéreas. Em junho, durante a Operação Integra SP, teve início na capital um projeto-piloto para integrar helicópteros e drones da Polícia Militar à plataforma.
A intenção é ampliar a capacidade de monitoramento em situações que exigem acompanhamento de grandes áreas ou deslocamentos de pessoas e veículos.
Cinturão eletrônico nas rodovias
A rede deverá crescer ainda mais com a implantação do chamado cinturão eletrônico. Em parceria com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o Muralha Paulista deverá receber mais de 4 mil câmeras e cerca de 350 leitores automáticos de placas instalados em rodovias concedidas.
A expansão permitirá aumentar o monitoramento da circulação de veículos nas estradas e facilitar a identificação de automóveis relacionados a ocorrências policiais.
Dados de segurança pública
O programa faz parte de um conjunto de medidas adotadas pelo Estado na área de segurança pública. Segundo dados oficiais apresentados pelo Governo de São Paulo, entre janeiro de 2023 e junho de 2026, as polícias prenderam 718,9 mil infratores, apreenderam 46,2 mil armas, recuperaram 178 mil veículos e retiraram de circulação 774 toneladas de drogas.
Ainda conforme os dados oficiais, na comparação entre janeiro e junho de 2026 e o mesmo período da série histórica, São Paulo registrou os menores números de homicídios, latrocínios, roubos em geral, roubos de veículos e roubos de carga.
As reduções informadas foram de 7,3% nos homicídios, 36,2% nos latrocínios, 16,4% nos roubos em geral, 35,1% nos roubos de veículos e 32,8% nos roubos de carga.
Dados divulgados anteriormente pela Secretaria da Segurança Pública também apontaram que o Muralha Paulista já reunia mais de 125,5 mil câmeras interligadas e cobertura superior a 70% da população paulista.
A ampliação da rede de sensores, câmeras e sistemas de inteligência artificial representa uma estratégia de integração tecnológica entre municípios e forças de segurança, com o objetivo de fornecer informações em tempo real para apoiar o atendimento das ocorrências e a localização de pessoas e veículos procurados.
