O homem de 47 anos que mobilizou equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) durante mais de sete horas, na quarta-feira (5), no bairro São Vicente, em Araçatuba, recebeu alta do pronto-socorro municipal e agora enfrenta um novo desafio: conseguir atendimento especializado para tratar os transtornos psiquiátricos que, segundo a família, acompanham sua vida desde a infância.
Drama
Em conversa com a reportagem do RP10, uma familiar revelou o drama vivido há décadas. Segundo a familiar, o homem teve uma infância traumática, é analfabeto e, desde criança, apresenta surtos psicóticos. Ele faz uso de medicamentos para esquizofrenia, mas as crises são frequentes e se intensificam em determinados períodos.
Durante os surtos o homem acredita estar sendo perseguido, ouve vozes e vê situações que não existem. Ela contou que episódios como subir em árvores para fugir de supostos perseguidores já ocorreram outras vezes, pois são momentos em que ele não consegue distinguir o que é realidade do que faz parte do transtorno.
A família informou que já tentou buscar atendimento especializado por meio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), mas encontrou dificuldades. Segundo a filha, quando conseguiu convencer o pai a comparecer à unidade, o atendimento disponível era apenas para uma data distante, o que acabou inviabilizando o acompanhamento naquele momento.
Depois do episódio desta semana, os familiares decidiram intensificar a busca por ajuda. Ela afirma que a situação passou a ser encarada como urgente e que todos estão mobilizados para conseguir atendimento adequado o quanto antes.
“Agora percebemos que não podemos mais esperar. Precisamos conseguir um tratamento para evitar que isso aconteça novamente”, relatou.
Ela também explicou que o pai costuma resistir em procurar ajuda médica, o que dificulta ainda mais o acompanhamento. Mesmo assim, os familiares seguem empenhados em convencê-lo a aceitar o tratamento.
Operação durou cerca de sete horas

O caso chamou a atenção de moradores da região da rua Belmonte, no bairro São Vicente. Armado com um facão e em aparente surto psicótico, o homem permaneceu por horas caminhando sobre telhados de diversas residências, ameaçando atentar contra a própria vida e dificultando o trabalho das equipes de resgate.
A Polícia Militar isolou a área e iniciou uma longa negociação, com apoio do Corpo de Bombeiros e, posteriormente, do GATE, especializado em ocorrências de alta complexidade.
Após cerca de sete horas, aproveitando um momento em que o homem demonstrava sinais de cansaço e distração, as equipes conseguiram imobilizá-lo em segurança quando ele estava sobre um telhado a aproximadamente sete metros de altura.
Durante o surto, ele sofreu diversos cortes provocados pelo próprio facão. Mesmo após deixar a arma cair, ainda tentou continuar se ferindo utilizando uma lâmina de calha de um telhado.
Segundo a filha, toda a atuação das equipes de segurança foi marcada pelo cuidado para preservar a vida do pai. “Achei o trabalho deles foi muito cuidadoso”, afirmou.
Agora, com o homem em casa, a esperança da família é conseguir atendimento especializado para que ele tenha acompanhamento contínuo e possa enfrentar a doença com mais segurança e qualidade de vida.

