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SP tem a menor taxa de homicídios de mulheres do Brasil, aponta Atlas da Violência

Levantamento aponta 1,5 morte por 100 mil mulheres em 2024, menos da metade da média nacional e à frente de Santa Catarina, Distrito Federal e Sergipe

por Fabricio Oliveira
03/07/2026 às 11:30
em CIDADES
Foto: Divulgação/Governo de SP

Foto: Divulgação/Governo de SP

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O estado de São Paulo registrou a menor taxa de homicídios de mulheres do Brasil em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento aponta 1,5 assassinato de mulheres por 100 mil mulheres no território paulista, índice equivalente a menos da metade da média nacional, de 3,4. 

Em segundo lugar aparecem Santa Catarina, Distrito Federal e Sergipe, todos com 2,2 homicídios de mulheres a cada 100 mil. No outro extremo, Roraima registra a maior taxa do país (12,6), seguida por Ceará, Rondônia (ambos com 5,7), Bahia e Pernambuco (5,4).

São Paulo lidera o ranking dos estados com menor taxa de homicídios de mulheres em toda a série histórica do Atlas. Entre 2014 e 2024, a taxa paulista caiu de 2,7 para 1,5, redução de 44,4%. No mesmo período, a média nacional recuou de 4,7 para 3,4, queda de 27,7%.

Em 2024, o Brasil registrou 3.642 mulheres assassinadas, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, base utilizada pelo Atlas.

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Os registros apurados a partir de unidades de saúde diferem dos feminicídios, tipo penal criado pela Lei 13.104, de 2015, registrado pelas polícias civis estaduais quando há evidência de que a vítima foi morta por sua condição de gênero.

Os autores do Atlas 2026 observam, em nota técnica, que o sistema de saúde não permite distinguir os dois conceitos, mas que é possível filtrar homicídios de mulheres ocorridos em residências —uma medida indireta para avaliar a evolução dos feminicídios no Brasil.

Veja a taxa de homicídios de mulheres por estado em 2024

Taxa por 100 mil mulheres, em ordem crescente:

  • São Paulo: 1,5;
  • Distrito Federal: 2,2;
  • Santa Catarina: 2,2;
  • Sergipe: 2,2;
  • Minas Gerais: 2,4;
  • Amapá: 2,5;
  • Acre: 2,8;
  • Rio Grande do Norte: 2,8;
  • Rio de Janeiro: 2,9;
  • Goiás: 3,3;
  • Paraíba: 3,4;
  • Rio Grande do Sul: 3,5;
  • Tocantins: 3,7;
  • Pará: 3,9;
  • Mato Grosso do Sul: 3,9;
  • Paraná: 4,0;
  • Alagoas: 4,2;
  • Piauí: 4,2;
  • Maranhão: 4,4;
  • Amazonas: 5,0;
  • Mato Grosso: 5,1;
  • Espírito Santo: 5,3;
  • Bahia: 5,4;
  • Pernambuco: 5,4;
  • Ceará: 5,7;
  • Rondônia: 5,7;
  • Roraima: 12,6.

Violência contra a mulher

O Governo do Estado atua no enfrentamento da violência contra a mulher de forma transversal, com integração intersecretarial coordenada pela Secretaria de Políticas para a Mulher. As ações estão reunidas no movimento SP por Todas, lançado em março de 2024, que integra iniciativas em segurança, saúde, autonomia econômica e acolhimento. 

Entre os instrumentos da rede está o aplicativo SP Mulher Segura, com botão de pânico vinculado ao monitoramento eletrônico de agressores por tornozeleira, política iniciada em setembro de 2023 em parceria com o Tribunal de Justiça que já acompanhou 1.198 homens com medida protetiva e levou à prisão de 123 por descumprimento. Até maio de 2026, o aplicativo somava 64 mil usuárias e 16,4 mil acionamentos do botão de pânico.

“Nosso compromisso é garantir que toda mulher saiba que não está sozinha e tenha acesso rápido aos serviços de proteção. Ao ampliar essa rede em todo o estado, aproximamos o atendimento da população, fortalecemos o acolhimento e estimulamos a denúncia, que é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência”, afirma o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.

Em 12 de maio deste ano, Dia da Policial Feminina, o governo paulista anunciou o programa SP por Todas Mais Seguras, com investimento de R$ 20,9 milhões. Entre as medidas estão a criação da Patrulha Mulher Segura, primeira estrutura de patrulhamento da Polícia Militar dedicada exclusivamente à proteção feminina, com previsão de 100 viaturas em operação até o fim de 2026, e a implantação de 40 Espaços Lilás em unidades da corporação para acolhimento de vítimas. 

No fim de abril, a coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu o comando-geral da Polícia Militar paulista, na Academia do Barro Branco, tornando-se a primeira mulher a ocupar o posto em quase 200 anos da corporação. “O enfrentamento à violência doméstica e familiar será prioridade operacional no nosso comando”, declarou ela, no discurso de posse.

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SP Por Todas

SP Por Todas é o movimento do Governo do Estado de São Paulo que reúne as políticas públicas voltadas às mulheres, com foco em proteção, acolhimento e promoção da autonomia econômica e profissional em todo o estado. A iniciativa articula secretarias e forças de segurança para enfrentar a violência de gênero e aproximar os serviços da população.

Integram a rede as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e as Salas DDM 24h, instaladas em plantões policiais para atendimento especializado; a Cabine Lilás, no centro de operações da Polícia Militar; as Casas da Mulher Paulista; a Patrulha SP Mulher Segura, primeira ronda da PM dedicada à proteção de mulheres; e o aplicativo SP Mulher Segura, com botão do pânico. Em 2026, o programa foi reforçado pelo pacote SP por Todas Mais Seguras.

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