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Justiça manda soltar dois instrutores presos por morte em salto de rope jump

por Alex Mesmer
09/07/2026 às 13:38
em COTIDIANO
salto morte
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ANUNCIANTE

A Justiça de São Paulo revogou a prisão de dois instrutores investigados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida durante um salto de rope jump no dia 13 de junho, no interior paulista. João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins deixaram a unidade prisional na tarde de quarta-feira (8), após decisão judicial que determinou a liberdade dos dois.

A medida foi tomada após a conclusão do inquérito da Polícia Civil, que decidiu não indiciar os instrutores por entender que, até o momento, não foram reunidos elementos suficientes para atribuir a eles responsabilidade criminal direta pela morte da jovem.

Inicialmente, João Antonio Pivetta havia sido apontado como suspeito de retirar a câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda no momento da queda, hipótese que embasou sua prisão uma semana após o acidente. No entanto, durante a investigação, depoimentos de testemunhas e outras provas levaram os investigadores a afastar essa suspeita.

Segundo o relatório policial, testemunhas relataram que a pessoa responsável pelo desaparecimento da câmera possuía cabelos escuros, enquanto Pivetta utilizava cabelos tingidos de loiro. Além disso, a Polícia Civil concluiu que sua função operacional restringia-se à retirada do mosquetão dos participantes após os saltos, na parte inferior da ponte. Conforme o documento, no momento do acidente ele atendia outro participante, circunstância que, na avaliação dos investigadores, afasta uma contribuição direta para o resultado.

Em relação a Gabriel Barros Martins, que havia sido preso sob suspeita de deixar o local após a queda da vítima, a Polícia Civil também concluiu que as provas reunidas não permitem caracterizar participação relevante na morte de Maria Eduarda.

O relatório destaca que ainda existem dúvidas sobre a extensão de sua atuação na operação do sistema de debreagem utilizado durante os saltos. No entanto, segundo os investigadores, essas incertezas permanecem no campo das hipóteses e não são suficientes para justificar seu indiciamento.

Ministério Público denunciou quatro investigados

Apesar da decisão da Polícia Civil em relação aos dois instrutores, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra quatro pessoas envolvidas na organização da atividade.

Foram denunciados Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como responsável pela organização do grupo que promovia os saltos.

Segundo o Ministério Público, os denunciados deverão responder por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de produzir o resultado — qualificado por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima. No caso de Evelyne, a denúncia inclui ainda os crimes de omissão imprópria e fraude processual, sob a acusação de tentativa de eliminação de provas consideradas relevantes para a investigação.

Na denúncia, o MPSP sustenta que os responsáveis pela atividade tinham conhecimento dos riscos inerentes ao rope jump, mas deixaram de adotar procedimentos essenciais de segurança, como a conferência da conexão da corda e a realização da dupla checagem dos equipamentos antes do salto.

O órgão também afirma que a atividade era explorada comercialmente sem uma definição clara das funções dos integrantes da equipe e em desacordo com exigências de segurança, priorizando interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais.

O processo segue em tramitação na Justiça, que deverá analisar o recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público. Paralelamente, as investigações continuam para esclarecer todos os aspectos relacionados ao acidente que resultou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas.

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