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Heróis: saiba como é o treinamento dos cães de resgate enviados à Venezuela

por Fabricio Oliveira
01/07/2026 às 10:18
em COTIDIANO
O batalhão do Corpo de Bombeiros tem hoje um efetivo de 4 cães prontos e 3 em formação. Foto: Divulgação/Governo de SP

O batalhão do Corpo de Bombeiros tem hoje um efetivo de 4 cães prontos e 3 em formação. Foto: Divulgação/Governo de SP

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Com o faro das cadelas Malina, de cinco anos, e Kiara, de um ano e meio, o Corpo de Bombeiros de São Paulo, em conjunto com outras equipes, realiza buscas por desaparecidos na Venezuela após dois terremotos atingirem o país. Os animais compõem a comitiva paulista enviada pelo Governo de São Paulo.

Ao todo, mais de 140 cães farejadores de 21 países fazem parte da força-tarefa de buscas. São Paulo, Minas Gerais e Paraná enviaram dois cães cada. 

Até o momento, mais de 1.700 mortes foram confirmadas e milhares de pessoas continuam desaparecidas, de acordo com autoridades locais. O contingente enviado pelo Governo de São Paulo inclui também bombeiros, técnicos da Defesa Civil e dois médicos.

A cadela Malina, veterana de cinco anos, parte para a segunda missão internacional. Em 2023, ela atuou nas buscas após o terremoto na Turquia e, no Brasil, trabalhou nos resgates durante as enchentes em Porto Alegre. Já a cadela Kiara, de um ano e meio, está na fase final da formação, que dura cerca de dois anos.

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Os recrutas chegam ao canil do Corpo de Bombeiros, na capital paulista, com apenas 45 dias de vida, adquiridos de criadores especializados. A preparação, no entanto, começa na etapa anterior, na escolha da raça, como destaca a capitã do Corpo de Bombeiros Karoline Burunsizian.

“O Pastor Belga Malinois reúne agilidade, resiliência e força, além de uma excelente energia de trabalho. O faro do Labrador, por exemplo, é um pouco melhor, mas no conjunto o Malinois entrega as melhores características para a busca em estruturas demolidas”, conta.

O batalhão do Corpo de Bombeiros tem hoje um efetivo de 4 cães prontos e 3 em formação. De acordo com a capitã, as cadelas são, em geral, mais focadas durante o trabalho.   

O treinamento começa ainda na fase de filhote, com brincadeiras de esconde-esconde que ensinam os cães a localizar pessoas a partir de odores, como carne de porco crua e aromas sintéticos que simulam o cheiro humano. A capitã Karoline detalha que, para o animal, o processo funciona por meio de reforço positivo, no qual o filhote recebe um brinquedo ou mordedor sempre que apresenta o comportamento esperado pelo treinador.

“Eles são recompensados todas as vezes que colocam o focinho perto do odor que queremos que achem. Ao longo do processo, associamos o brinquedo a esse cheiro específico e, em algum momento, ele localiza o odor e ganha o prêmio. É uma grande brincadeira para ele”, explica.

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Um post compartilhado por Governo SP (@governosp)

Nos primeiros seis meses de vida, os treinadores aproveitam a chamada “janela de socialização e dessensibilização”. Nesse período, os cães estão mais abertos a novos estímulos e são apresentados a diferentes situações.

“A gente leva eles a condições extremas. Colocamos para andar de jet ski, bote ou em helicóptero, além de subir em costeiras e andar sobre escombros. Submetemos os cachorros a todas as situações possíveis para que se acostumem com esses ambientes e, no momento de uma ocorrência real, não se assustem”, conclui.

MELHOR AMIGO DO HOMEM

O profissional que acompanha o cão tem um papel importante. Ele precisa interpretar e conduzir o animal, e a conexão entre os dois é crucial para que ele fique confortável nas buscas. Aos oito anos, quando os cães são aposentados, o bombeiro-condutor tem preferência para a adoção do animal.

O profissional acompanha todo o processo de treinamento, desenvolvendo uma conexão de muita proximidade. A capitã aponta ainda que até hoje não existe nenhum maquinário ou tecnologia desenvolvida que seja tão eficiente quanto os cães na busca por vítimas.

COMO FUNCIONAM AS BUSCAS

O trabalho em campo começa com o mapeamento das áreas feito pela coordenação das buscas, que aponta os pontos prováveis de pessoas soterradas. Essa indicação determina as áreas que devem receber os cães. Depois que a área foi vistoriada, outro animal faz uma nova varredura. Quando confirmado que não existem pessoas sob os escombros, o local é sinalizado.

A localização das vítimas depende do faro apurado dos cães, capazes de detectar bolsões de ar com odores corporais ou gases químicos gerados pela decomposição dos corpos sob as estruturas. Durante o treinamento, os cães do Corpo de Bombeiros de São Paulo passam por treinos com pedaços de animais e elementos sintéticos.

À medida que o tempo avança, a missão se torna ainda mais desafiadora. Integrando a força-tarefa internacional mobilizada para a tragédia, bombeiros, médicos, técnicos da Defesa Civil e os cães farejadores enviados pelo Governo de SP seguem trabalhando para localizar sobreviventes e apoiar as operações de resgate na Venezuela. 

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