A Justiça de Araçatuba condenou o hacker Patrick Cesar da Silva Brito e o corretor William Giacomo Bosco por uma série de crimes praticados contra o juiz Roberto Soares Leite, titular da 1ª Vara Criminal da comarca. A sentença, de 134 páginas, foi proferida pelo juiz Adriano Pinto de Oliveira, da 3ª Vara Criminal, e reconhece que os réus promoveram perseguições, ameaças e tentativas de intimidação contra o magistrado com o objetivo de interferir no andamento de processos judiciais
De acordo com a sentença, os fatos ocorreram entre julho e agosto de 2025. Nesse período, os réus passaram a perseguir reiteradamente o juiz, restringindo sua liberdade de locomoção, realizando ameaças e utilizando redes sociais para atacar sua honra e sua atuação funcional.
A decisão também reconheceu que os condenados incitaram publicamente a prática de crimes contra o magistrado, sua esposa e seus filhos menores de idade.
Ataques contra autoridades
Durante a fundamentação, o juiz Adriano Pinto de Oliveira apontou que Patrick Cesar da Silva Brito utilizou redes sociais, e-mails e outros meios de comunicação para atacar integrantes do Poder Judiciário, policiais civis, promotores de Justiça e outros agentes públicos.
Segundo a sentença, as manifestações tinham o propósito de criar um ambiente de intimidação institucional e impedir o avanço das ações penais às quais o acusado respondia.
O magistrado destacou que as condutas extrapolaram o exercício do direito de defesa e passaram a representar uma estratégia deliberada para obstruir a atuação da Justiça.
“Sua ausência da sala de audiências é fruto de escolha deliberada e abusiva, e não de circunstância que o sistema jurídico deva remediar ou sanar. Tais condutas não podem ser admitidas pelo Poder Judiciário”, registrou o juiz.
Em outro trecho da decisão, Adriano Pinto de Oliveira afirmou que o comportamento do acusado tinha finalidade protelatória.
“O acusado não quer ser interrogado para o exercício legítimo da autodefesa, mas sim um instrumento de manobra obstrutiva da persecução penal e possível decretação de nulidade.”
Processos foram redistribuídos
Segundo os autos, a repercussão das ameaças levou os juízes da 1ª e da 2ª Varas Criminais de Araçatuba a declararem suspeição para atuar em processos envolvendo Patrick Brito.
Com isso, os processos foram redistribuídos à 3ª Vara Criminal, que atualmente concentra nove ações penais em desfavor do acusado.
Réu está foragido e integra lista da Interpol
A sentença destaca que Patrick Cesar da Silva Brito permanece foragido fora do Brasil, possui diversos mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça brasileira e integra a lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos procurados internacionalmente para fins de extradição. O documento também informa que existem procedimentos de extradição em andamento para que ele responda aos processos perante a Justiça brasileira.
Penas aplicadas
Patrick Cesar da Silva Brito foi condenado pelos crimes de perseguição (stalking), coação no curso do processo, injúria, difamação e incitação ao crime.
As penas somadas totalizam 14 anos, 9 meses e 18 dias, sendo:
- 7 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, em regime inicial fechado;
- 7 anos de detenção, em regime inicial semiaberto.
William Giacomo Bosco foi condenado pelos crimes de perseguição, coação no curso do processo e incitação ao crime.
A pena fixada foi de 7 anos, 4 meses e 28 dias, sendo:
- 6 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, em regime inicial fechado;
- 7 meses e 10 dias de detenção, em regime inicial semiaberto.
Ao final da decisão, o juiz concluiu que o conjunto probatório produzido durante a instrução processual foi suficiente para comprovar a responsabilidade criminal dos dois réus. A sentença rejeitou as teses apresentadas pelas defesas e manteve as medidas cautelares impostas durante a tramitação da ação penal.
Defesa recorrerá
Em nota, a defesa técnica de Patrick Cesar da Silva Brito informou que recebeu a sentença “com tranquilidade” e que irá apresentar recurso às instâncias superiores.
O advogado Paulo Klein afirmou que a defesa mantém o entendimento de que o acusado é inocente.
“A defesa reitera a inocência de Patrick”, declarou.

