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Ondas ultrassônicas vão ajudar a conter avanço das algas no Tietê

Projeto-piloto em Sabino utilizará rede de equipamentos para monitorar a água em tempo real e reduzir a proliferação de algas em área equivalente a mais de 130 campos de futebol

por Alex Mesmer
10/06/2026 às 16:27
em CIDADES
alga verde Tiete
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ANUNCIANTE

Uma tecnologia já utilizada em cerca de 60 países será testada pelo Governo de São Paulo para reduzir a formação da chamada “nata verde” em um trecho do Rio Tietê. O projeto será implantado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Semil, no Córrego do Esgotão, em Sabino (SP), área com histórico de florações intensas de cianobactérias que formam manchas esverdeadas na superfície da água. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (10), durante evento alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, e faz parte de um pacote de novas medidas no contexto do Programa IntegraTietê.

A iniciativa prevê a instalação de 14 boias inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar continuamente a qualidade da água. O objetivo é reduzir a proliferação das algas sem a utilização de produtos químicos e sem causar danos ao ecossistema aquático.

“Sabino foi escolhida para receber o projeto-piloto porque reúne características que a tornam um ambiente ideal para testar e avaliar essa tecnologia em condições reais. A região apresenta histórico de florações de algas, conta com uma base consistente de dados de monitoramento e possui relevância para atividades de lazer, turismo e pesca. Isso permite que os resultados sejam acompanhados tanto do ponto de vista ambiental quanto dos benefícios percebidos pela população”, afirma o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a tecnologia tem sido uma aliada na busca de soluções para aprimorar cada vez mais os resultados obtidos pelo programa IntegraTietê. “Temos avanços consistentes na recuperação do Tietê e seus afluentes e essa nova frente de combate à proliferação de algas por meio do uso de tecnologia ultrassônica se soma a uma série de outras frentes em andamento, de saneamento, desassoreamento, limpeza, conservação, fiscalização e monitoramento”, enfatiza.

ANUNCIANTE

A instalação do sistema está prevista para agosto. A expectativa é que os primeiros resultados possam ser observados a partir de 90 dias após o início da operação das boias, prazo considerado necessário para avaliar os efeitos da tecnologia sobre a proliferação de algas na área monitorada.

A área abrangida pelo projeto possui cerca de 960 mil metros quadrados, o equivalente a mais de 130 campos de futebol, e volume estimado de 7 milhões de metros cúbicos de água, suficiente para encher aproximadamente 2.800 piscinas olímpicas.

Como funciona a tecnologia movida a energia solar
As boias emitem ondas ultrassônicas em diferentes frequências para interferir na capacidade de flutuação das algas. Com isso, elas encontram mais dificuldade para permanecer próximas à superfície, onde recebem luz solar para realizar a fotossíntese.

Ao migrar para camadas mais profundas da água, a tendência é a interrupção do ciclo de vida da espécie e que a formação das manchas esverdeadas seja reduzida. Cada boia possui alcance de aproximadamente 500 metros de diâmetro, cobrindo uma área equivalente a cerca de 28 campos de futebol.

Com investimento de cerca de R$ 9 milhões, o sistema utilizará inteligência embarcada com uso de algoritmos para ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições observadas na água.

Além disso, os equipamentos funcionarão como estações automáticas de monitoramento. Sensores instalados nas boias vão acompanhar continuamente parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura, clorofila e ficocianina.

O projeto também contará com uma estação meteorológica para cruzamento de informações sobre chuva, vento e temperatura, permitindo antecipar condições favoráveis ao surgimento das florações. Toda a operação será alimentada por energia solar e baterias de lítio.

Desenvolvida na Holanda, a tecnologia foi escolhida por combinar baixo impacto ambiental e capacidade de atuação em grandes áreas.

O que causa a “nata verde”
A formação das manchas esverdeadas está associada ao excesso de nutrientes na água, fenômeno conhecido como eutrofização. Em condições favoráveis, como altas temperaturas e maior incidência de luz solar, ocorre uma proliferação acelerada de algas e cianobactérias. Além do impacto visual, esses episódios podem comprometer a qualidade da água e afetar atividades como pesca, piscicultura, esportes náuticos e lazer.

Sobre a Semana do Meio Ambiente
Realizada pelo Governo de São Paulo em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Semana do Meio Ambiente teve como ponto alto evento no Parque Ecológico do Tietê (PET), na zona leste da capital paulista, no dia 10 de junho.

A edição deste ano incorporou o legado do Summit Agenda SP+Verde, ampliando a integração entre governo, setor produtivo, investidores e sociedade civil em torno da agenda climática, da economia verde e do desenvolvimento sustentável.

A programação incluiu uma série de anúncios e entregas, ativações e atrações com a participação de empresas e entidades selecionadas por edital público. Também está previsto na programação da Semana o Fórum SP Conecta, iniciativa da Semil e da InvestSP a ser realizada no próximo dia 16 de junho, voltada à atração de investimentos e ao fortalecimento da competitividade ambiental no Estado de São Paulo. A Semana do Meio Ambiente também faz alusão às comemorações dos 40 anos da Semil.

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