O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, percorreu mais de 2 mil quilômetros para tentar encontrar uma mulher por quem acreditava estar apaixonado. Ele saiu de Imperatriz, no Maranhão, e foi até Belo Horizonte, em Minas Gerais, após conhecer nas redes sociais uma personagem que, segundo reportagens publicadas nesta terça-feira (13), foi criada por inteligência artificial (IA).
A mulher se apresentava nos vídeos como “Jéssica” e publicava conteúdos que davam a impressão de uma conversa direta com quem assistia. Nas gravações, ela demonstrava interesse amoroso e fazia promessas de uma vida a dois, incluindo a possibilidade de morar com ela em uma fazenda.
Edimar acreditou nas mensagens e decidiu viajar para conhecê-la pessoalmente. Ao chegar à capital mineira, porém, não conseguiu localizar a suposta companheira e descobriu que a figura dos vídeos não correspondia a uma pessoa real.
Personagem virtual levou pedreiro a viajar entre estados
Em entrevista ao portal BHAZ, Edimar relatou que acreditava que a mulher morava no interior de Minas Gerais e demonstrava interesse nele. A viagem foi motivada pela expectativa de iniciar um relacionamento e mudar de vida.
O pedreiro também falou sobre a solidão e contou que a morte da mãe havia alterado sua relação com a cidade onde vivia. Segundo ele, esse contexto contribuiu para a decisão de procurar a mulher que conheceu pela internet.
Mesmo depois de ser informado de que a personagem havia sido produzida por inteligência artificial, Edimar continuou tentando estabelecer contato e demonstrou esperança de encontrá-la. O caso foi acompanhado por veículos de comunicação de Belo Horizonte.
Prefeitura ofereceu acolhimento e passagem
Após chegar à capital mineira e ficar sem dinheiro para continuar a viagem ou custear a estadia, Edimar procurou ajuda. Ele recebeu atendimento da Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante, serviço da Prefeitura de Belo Horizonte que presta assistência a pessoas em trânsito.
A equipe ofereceu apoio social e providenciou uma passagem para que ele pudesse deixar a cidade. Inicialmente, a previsão era de retorno a Imperatriz, mas, em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira, Edimar informou que seguiria para Araguatins, no Tocantins, município onde nasceu.
Na ocasião, ele afirmou que já estava dentro do ônibus e não descartou voltar a Belo Horizonte no futuro. A reportagem da Itatiaia informou que o pedreiro continuava tentando manter contato com a personagem virtual.
Caso chama atenção para perfis criados por inteligência artificial
O episódio evidencia como vídeos gerados por inteligência artificial podem simular a presença de pessoas reais e criar a impressão de uma relação pessoal. No caso de Edimar, o perfil publicava vídeos e, segundo as reportagens, respondia automaticamente às interações dos usuários.
A existência de personagens virtuais não significa, por si só, que haja um crime. No entanto, perfis que simulam identidades reais podem ser usados para enganar usuários, obter informações pessoais ou solicitar dinheiro.
Para reduzir riscos, especialistas em segurança digital recomendam verificar a identidade de pessoas conhecidas pela internet, desconfiar de promessas muito rápidas de relacionamento e não enviar dinheiro ou dados pessoais sem confirmar com quem se está falando.
Até a publicação das reportagens consultadas, não havia informação confirmada sobre quem administrava o perfil da personagem “Jéssica” nem sobre eventual prejuízo financeiro sofrido por Edimar.

