A morte da mulher que deu à luz gêmeos prematuros em circunstâncias incomuns nesta semana comoveu familiares, profissionais de saúde e a comunidade de Araçatuba. A paciente A.C.H.E., que estava internada na Santa Casa de Araçatuba após apresentar graves complicações no período pós-parto, não resistiu à gravidade do quadro clínico e teve o óbito confirmado às 16h35 deste sábado (20).
De acordo com informações divulgadas pela Santa Casa, a paciente foi acolhida pela equipe médica após um parto prematuro envolvendo dois bebês. Um dos recém-nascidos nasceu na residência da família e o outro durante o atendimento prestado por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), enquanto a mãe era transportada para o hospital.
Após a chegada à unidade, a mulher recebeu atendimento especializado da equipe de obstetrícia. No entanto, durante a evolução clínica, apresentou uma grave intercorrência no pós-parto e precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência de grande porte. Desde então, permaneceu internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sob acompanhamento contínuo das equipes de terapia intensiva e obstetrícia.
Segundo a Santa Casa, apesar de todos os esforços realizados pelos profissionais envolvidos no tratamento, o quadro permaneceu instável e de alta complexidade. O falecimento foi registrado na UTI 3 da instituição.
Os familiares foram comunicados oficialmente sobre o óbito. O esposo, Walter Nunes, e a mãe da paciente, Adriana Elías, realizavam os procedimentos necessários para a liberação do corpo.
Em nota, a Santa Casa de Araçatuba manifestou solidariedade à família e destacou o empenho das equipes médicas, de enfermagem e demais profissionais que atuaram desde a chegada da paciente ao hospital na tentativa de preservar sua vida.
A notícia do falecimento ocorre um dia após a confirmação de vagas em UTI Neonatal para os gêmeos prematuros. Os bebês permaneceram internados por cerca de 47 horas em uma área adaptada da emergência da Santa Casa, enquanto aguardavam a disponibilização de leitos especializados por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).
Um dos recém-nascidos necessita de acompanhamento ainda mais especializado devido a uma cardiopatia congênita, condição que exige investigação e tratamento em centro de referência. A previsão era de transferência para o Hospital de Base de São José do Rio Preto, referência regional em atendimentos de alta complexidade e cardiologia pediátrica.
O caso chamou a atenção para a dificuldade enfrentada por hospitais paulistas diante da alta demanda por leitos neonatais especializados. A espera por vagas para os recém-nascidos evidenciou os desafios do sistema de regulação estadual em situações que envolvem prematuridade e cuidados intensivos.
Enquanto os bebês iniciam uma nova etapa de tratamento em unidades especializadas, familiares enfrentam o luto pela perda da mãe, cujo estado de saúde já era considerado extremamente grave desde os primeiros dias após o parto.

