Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) resultou na prisão de vereadores e ex-vereadores de Catanduva nesta terça-feira (3), durante uma ação que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Câmara Municipal. Segundo o Ministério Público, as irregularidades podem ter causado prejuízo estimado em cerca de R$ 10 milhões aos cofres públicos.
Batizada de “Operação Rei do Pix”, a ação teve como alvos agentes políticos, servidores públicos e outros investigados suspeitos de participação em um esquema que teria utilizado empresas de fachada para receber pagamentos por serviços que, de acordo com a investigação, não foram efetivamente prestados ao Legislativo municipal.
Entre os presos estão o vereador e ex-presidente da Câmara, Marquinhos Ferreira (PT), e o vereador Carlos Alexandre Batista dos Santos, conhecido como Gordo do Restaurante (Progressistas). Também foram expedidos mandados de prisão contra os ex-vereadores Alan Figueiredo Marçal, conhecido como Allan dos Automóveis, Maurício Gouvea e Patrick Camelo Rolim César.
Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de dez mandados de prisão e 47 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do interior paulista e na capital. A operação contou com a participação de promotores de Justiça, agentes da Receita Federal, policiais militares e equipes da Polícia Civil.
De acordo com o Ministério Público, os fatos investigados teriam ocorrido entre os anos de 2023 e 2024. As apurações apontam que recursos públicos teriam sido direcionados a empresas supostamente constituídas para viabilizar o esquema, sem a correspondente prestação dos serviços contratados.
Além das medidas de busca e prisão, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento ao erário e preservar valores relacionados às apurações.
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam aproximadamente R$ 200 mil em espécie, cerca de 50 aparelhos celulares, 16 veículos, computadores e documentos que poderão auxiliar no avanço das investigações. Também foram localizadas três armas de fogo e um pé de maconha em um dos endereços vistoriados.
Segundo balanço divulgado pelo Gaeco, oito dos dez mandados de prisão haviam sido cumpridos até o final da tarde de terça-feira. Os demais alvos continuavam sendo procurados pelas autoridades.
O Ministério Público informou que a investigação prossegue para aprofundar a análise dos materiais apreendidos e identificar a eventual participação de outros envolvidos. Até o momento, os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva pela Justiça.
