Os Estados Unidos anunciaram uma proposta de novas tarifas de importação sobre produtos provenientes de 60 países e economias, entre eles Brasil, Argentina e Israel. A iniciativa foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e está relacionada a uma investigação sobre o combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de produção.
Segundo o governo americano, a proposta busca pressionar países considerados insuficientemente eficazes na prevenção da entrada e comercialização de produtos fabricados com trabalho forçado. A investigação foi aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.
O Brasil aparece entre os países que poderão ser atingidos por uma tarifa adicional de até 12,5% sobre determinados produtos exportados para o mercado americano. Já a Argentina está entre as economias incluídas na faixa de sobretaxa de 10%. Israel também integra a lista de países investigados pelo USTR, embora os detalhes sobre sua classificação tarifária ainda não tenham sido divulgados oficialmente.
A presença de Argentina e Israel na lista chamou atenção por se tratarem de aliados próximos dos Estados Unidos em diferentes áreas diplomáticas e comerciais. O fato reforça o argumento apresentado por Washington de que a investigação não está direcionada apenas a rivais comerciais, mas a um grupo mais amplo de países avaliados sob os mesmos critérios.
Apesar do anúncio, as tarifas ainda não entrarão em vigor imediatamente. O governo americano abriu um período de consulta pública até 6 de julho e realizará uma audiência pública em 7 de julho. Somente após essa etapa será tomada uma decisão sobre a implementação definitiva das medidas.
A proposta prevê exceções para alguns produtos considerados estratégicos ou essenciais para a economia americana. Entre os itens que podem ficar isentos das novas tarifas estão determinados produtos agrícolas, medicamentos, energia, peças aeronáuticas, café e carne bovina.
Caso sejam aprovadas, as tarifas poderão afetar o fluxo comercial entre os Estados Unidos e diversos parceiros internacionais, incluindo o Brasil. Especialistas avaliam que a medida tem potencial para ampliar discussões sobre barreiras comerciais, cadeias globais de suprimentos e mecanismos de fiscalização contra o trabalho forçado.
