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Após afastamento, médico expõe denúncia e divergências com gestão da Santa Casa

por Fabio Ishizawa
25/06/2026 às 10:51
em ARAÇATUBA
dr anderson dutra na santa casa
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ANUNCIANTE

O médico pediatra e intensivista neonatal Anderson Dutra divulgou nesta quarta-feira (25) um comunicado à população de Araçatuba e região em resposta à nota publicada pela administração da Santa Casa de Misericórdia de Araçatuba e ao impedimento de seu acesso às dependências do hospital.

No documento, o profissional afirma que sua entrada na instituição foi bloqueada por decisão da administração e apresenta críticas à condução da gestão hospitalar durante o aumento dos atendimentos pediátricos por doenças respiratórias. Anderson também sustenta que havia um plano de contingência previamente elaborado e aprovado pela direção da unidade, mas que, segundo ele, não teria sido colocado em prática.

O médico informa ainda que protocolou pedido de rescisão contratual e encaminhou ao Ministério Público uma denúncia envolvendo supostas irregularidades administrativas. Além disso, relata preocupações relacionadas à assistência prestada a pacientes pediátricos e ao remanejamento de leitos durante o período de maior demanda.

A seguir, a íntegra da manifestação divulgada pelo médico Anderson Dutra.

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ANUNCIANTE

COMUNICADO À POPULAÇÃO DE ARAÇATUBA E REGIÃO            

Em resposta ao comunicado da Administração da Santa Casa publicado ontem (24 de junho) e, também, ao meu impedimento, Prof Dr Anderson Dutra, de adentrar a Santa Casa para exercer minhas atividades profissionais, declaro que:

  1. O meu impedimento na entrada da Santa Casa teve e tem muitos objetivos, porém, o objetivo da Administração comandada pelo Provedor Dr Everton Henrique, foi impedir a minha liderança técnica;
  • O fato de os leitos terem sido remanejados, e que 5 crianças subiram para UTI Neonatal 1, pode ser visto como algo positivo, porém expõe de maneira clara a Gestão Temerária a que a Santa Casa está submetida. Mas, poderíamos perguntar porque? Ora, leitos de uti neonatal, onde prematuros frágeis, muitos com menos de 1 kg, recebendo inúmeros cuidados para manter a vida, estão sendo expostos a um risco de contágio, mesmo que as normas do Ministério da Saúde de prevenção de contatos seja estabelecida. O que deveria ter sido feito então?

Retirar essas crianças do Pronto Socorro para uma Unidade Respiratória Emergencial! Mas como? Atiçando o plano de contingenciamento emergencial desenhado por mim e minha equipe e aprovado em março desse ano pela Administração e diretoria técnica do hospital. Tal plano previa, é isso está plenamente documentado, que uma área física reformada, nunca antes utilizada por mais de 1 ano, no terceiro andar do hospital, conhecida como UCINCO, fosse utilizada.

Porque então esse plano não foi executado? Tem espaço físico? SIM! Tem verba de custeio da nova unidade emergencial respiratória oferecida pela DRS 2? SIM! Tem equipamentos? SIM! Muitos deles já em uso dessas crianças no Pronto Socorro! Tem equipe de enfermagem, fisioterapeuta e apoios? SIM! Nesses últimos dias observamos várias funcionárias trabalhando no Pronto Socorro em regime de extras!

Tem equipe médica? SIM! Eu ofereci a minha equipe para assumirmos mais essa função, mesmo trabalhando em regime de insegurança! Mas, insisto, porque não foi executado o plano de contingência emergencial? Amigos, diante dessa Gestão Temerária e da interferência total na autonomia do ato profissional médico, no dia 10 deste mês, protocolei a minha solicitação de RESCISÃO contratual!

Denúncia no Ministério Público

E, imediatamente encaminhei ao Ministério Público denúncia de Gestão Temerária com ajuntamento de farta documentação desde de 2023! O resultado até o momento disso tudo? Vocês todos conhecem! Fui impedido de adentrar a Santa Casa, entidade que entrego meus serviços há 30 anos com o maior respeito e carinho. Fui impedido de cumprir os meus contratos vigentes, dentro do período de 60 dias previsto no destrato!

Alguns esclarecimentos são importantes para a que possamos entender um pouco melhor os fatos:

O diagnóstico de uma doença por um médico deve ser baseado pela análise dos sintomas, pelo exame do paciente, e é o que chamamos de diagnóstico clínico; esse diagnóstico pode ser confirmado por exames complementares como raio-x ou tomografia de pulmão, e também, pela identificação de agentes infecciosos em culturas, testes de sangue ou testes rápidos (o famoso cotonete ).

Vamos utilizar o exemplo da Dengue. Essa doença segue esse roteiro, e, em situações de epidemia, os testes para confirmação não precisam nem serem solicitados! A síndrome gripal é as doenças respiratórias na infância seguem também o mesmo modelo.

Uma criança de 2 meses pode ter sintomas de gripe, estar cansada, precisando de oxigênio ou até mesmo precisar de cuidados de uti, ter raio-x e tomografia de pulmão muito alteradas e ter os testes de identificação dos agentes negativos! Isso não significa que o paciente não tem a doença, mas sim, que o agente não foi identificado! 

Eu sei que medicina pode às vezes parecer difícil, mas, você levaria seu filho de 2 meses para uma festa infantil em que as crianças estão todas gripadas? Criança saudável x crianças doentes, o que vai acontecer? É, infelizmente já aconteceu! Dentro da enfermaria de pediatria!

A Administração do hospital, mesmo contra a minha posição, resolveu colocar crianças em isolamento respiratório na enfermaria da pediatria, local não planejado para esse tipo de cuidado! Infelizmente, duas crianças se infectaram desenvolvendo quadro respiratório grave e encontram-se na UTI pediátrica do 6 andar criticamente doentes!

Portanto, caríssimos moradores de Araçatuba e região, é com profundo pesar que venho expor essa situação publicamente após ontem, dia 24/6 a Administração da Santa Casa, comandado pelo seu Provedor Dr Everton Henrique, ter impedido o meu acesso a Santa Casa. Porém, quero renovar com 38 municípios que constituem a nossa regional de saúde, e, particularmente com a minha querida Araçatuba, que acolheu e acolhe a mim e minha família há 30 anos, o compromisso de VIDA de continuar, dentro das minhas infinitas limitações, a defender as vidas das crianças.

Afinal, estou certo que combati e combato o BOM COMBATE, e que, para Deus nada é impossível!

Assinado: Prof. Dr. Anderson Dutra

Santa Casa contesta médico

Abaixo a íntegra da nota emitida pela Santa Casa de Araçatuba na tarde desta quinta-feira (25):

A Direção Técnica Médica da Santa Casa de Araçatuba, contesta os argumentos do médico Anderson Dutra em relação ao Plano de Contingenciamento. Em verdade essa Diretriz foi elaborada pelo médico Dr. Rogério Caravante, titular da Diretoria Técnica até meados deste mês, e a equipe técnica e multiprofissionais do hospital. O documento foi elaborado visando preparar a Santa Casa de Araçatuba para atendimentos extras decorrentes de surto de doenças respiratórias.

Porém, até o momento, os dados epidemiológicos estaduais e municipais bem como do Serviço de Vigilância Epidemiológica Hospitalar, não sinalizam a necessidade de abertura de unidade intensiva neonatal respiratória.

Em relação aos demais pontos, a Câmara Técnica Médica, esclarece:

Diante do cenário de superlotação e da necessidade de ampliação da capacidade assistencial para atendimento de pacientes pediátricos, foram implementadas medidas técnicas e assistenciais respaldadas por avaliação médica especializada.

Inicialmente, realizou-se o remanejamento de crianças internadas em ambiente de UTI Neonatal que se encontravam clinicamente estáveis e aguardavam disponibilização de assistência domiciliar (home care). Após avaliação individualizada por médicos pediatras habilitados, foi autorizada a transferência desses pacientes para o setor de enfermaria pediátrica.

Adicionalmente, foram solicitadas contrarreferências dos recém-nascidos provenientes de outros municípios que se encontravam clinicamente estáveis e permaneciam internados exclusivamente para ganho ponderal, medida que possibilitou a liberação de leitos para o atendimento das crianças que estavam internadas em ambiente no Pronto-Socorro.

Os pacientes transferidos do Pronto-Socorro para as Unidades de Terapia Intensiva Neonatal permanecem assistidos por equipe multiprofissional, em áreas de isolamento adequadas. A manutenção desses pacientes nesses ambientes ocorreu após realização dos exames pertinentes, avaliação clínica especializada e acompanhamento por médico infectologista.

Ressalta-se que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece diretrizes para prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde, as quais estão sendo rigorosamente observadas pela Santa Casa de Araçatuba. Todas as medidas adotadas visam garantir a máxima segurança aos pacientes internados e são executadas sob supervisão permanente do médico infectologista responsável.

O Plano de Contingência foi elaborado conjuntamente pelo Diretor Técnico, pela Gestão Assistencial e pelo médico coordenador do módulo infantil. O referido plano estabelece critérios específicos para utilização do setor de UCINCO como unidade de cuidados intermediários e convencionais, e não como unidade de terapia intensiva.

Nessa configuração, o setor destina-se ao atendimento de crianças com idade de até 1 ano e 6 meses, clinicamente estáveis e sem necessidade de ventilação mecânica. Pacientes acima dessa faixa etária são acomodados em ambiente de UTI Pediátrica, em área de isolamento apropriada.

Por fim, ressaltamos não há mais crianças internadas em ambiente de pronto socorro, todas as decisões e medidas adotadas estão fundamentadas em critérios técnicos e assistenciais, sendo conduzidas e supervisionadas por profissionais médicos especialistas, notadamente pediatras e infectologistas, sempre com foco na segurança do paciente, na qualidade da assistência e na manutenção da capacidade de atendimento da instituição.

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