A técnica de enfermagem acusada de provocar a morte de uma criança de 2 anos após a suposta administração de um medicamento diferente do prescrito foi ouvida pela Justiça nesta terça-feira (2), em Andradina. Durante a audiência, a ré negou ter aplicado a substância errada, versão que diverge das informações reunidas pelo Ministério Público e de declarações prestadas anteriormente durante a investigação policial.
O caso tramita na esfera criminal e teve denúncia formal apresentada em janeiro deste ano pela promotora de Justiça Marília Gonçalves Gomes Cangani. Segundo os autos do processo, a criança deu entrada em um hospital de Andradina em maio de 2025 apresentando febre, tosse e dificuldades respiratórias. Após avaliação médica, foi prescrita hidrocortisona por via endovenosa, além de outros procedimentos para estabilização do quadro clínico.
Conforme a denúncia, no momento de preparar a medicação, a técnica de enfermagem teria retirado do armário hospitalar um bloqueador neuromuscular de uso restrito em vez do medicamento anti-inflamatório indicado pela pediatra responsável pelo atendimento.
O Ministério Público sustenta que a profissional deixou de observar procedimentos básicos de conferência e segurança antes da administração intravenosa. De acordo com a acusação, logo após a aplicação da substância, a criança apresentou agravamento imediato do estado de saúde, com queda acentuada da saturação de oxigênio, episódios de vômito, bradicardia e parada cardiorrespiratória.
A equipe médica iniciou manobras de reanimação, mas a criança não resistiu e teve o óbito confirmado ainda na mesma noite.
Um dos principais elementos do processo é o laudo elaborado pelo Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEx), órgão de apoio técnico do Ministério Público do Estado de São Paulo. O documento aponta que o medicamento administrado possui elevado potencial de causar insuficiência respiratória quando utilizado fora de ambiente preparado para ventilação mecânica imediata.
Ainda segundo a perícia, a dose aplicada à criança teria sido aproximadamente oito vezes superior à normalmente utilizada em pacientes da mesma faixa etária. O parecer técnico concluiu pela existência de nexo causal entre a administração da substância e a morte da vítima.
Na denúncia, o Ministério Público afirma que houve negligência e descumprimento de normas técnicas da profissão. Entre os pontos destacados estão a suposta ausência de conferência adequada do rótulo do medicamento e o não cumprimento dos protocolos de segurança estabelecidos para a administração de fármacos em ambiente hospitalar.
Durante a audiência realizada nesta semana, a acusada negou ter ministrado medicamento diverso daquele prescrito pela médica plantonista. A defesa da profissional busca afastar a responsabilidade pelo ocorrido, enquanto o Ministério Público mantém a acusação com base nos elementos reunidos ao longo da investigação.
O processo segue em tramitação sob segredo de Justiça. Novas oitivas e diligências poderão ser realizadas antes da decisão judicial sobre o caso.
