A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo será realizada no próximo dia 7 de junho sob forte pressão política e financeira. Considerado um dos maiores eventos de diversidade do mundo, o ato na Avenida Paulista enfrenta a redução de cerca de 60% dos patrocínios, além de debates envolvendo um projeto de lei que pretende restringir eventos LGBTQIA+ em espaços públicos da capital paulista.
Na semana passada, a Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, uma proposta que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, mesmo quando acompanhados pelos responsáveis. O texto também determina que esse tipo de evento aconteça apenas em locais fechados, impedindo a ocupação de vias públicas.
Juristas ouvidos pela Agência Brasil consideram a proposta inconstitucional. O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, afirmou que o projeto viola princípios constitucionais de igualdade e não discriminação. Já o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), Nelson Matias Pereira, classificou a proposta como uma “cortina de fumaça” e relembrou que leis semelhantes já foram derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Além da pressão política, os organizadores relatam dificuldades financeiras para manter a estrutura da programação. Segundo Pereira, o evento contará neste ano com apenas dois patrocinadores, número bem abaixo das edições anteriores, quando grandes empresas apoiavam a parada. A redução impacta também iniciativas paralelas, como projetos sociais, culturais e a tradicional Feira da Diversidade.
Mesmo diante das dificuldades, a organização afirma que a parada será mantida. O tema escolhido para a edição de 2026 é “A rua convoca, a urna confirma”, reforçando a importância da participação política e do voto. Para os organizadores, o avanço de pautas conservadoras no país exige maior mobilização da comunidade LGBT+ nas eleições e nos espaços de representação política.
A drag queen Tiffany, uma das apresentadoras do evento, afirmou que a parada vai além da celebração. Segundo ela, o ato também é uma manifestação política em defesa de direitos conquistados ao longo das últimas décadas. “O fervo também é luta”, destacou.
A primeira Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo ocorreu em 1996, na Praça Roosevelt. No ano seguinte, o evento passou a ocupar a Avenida Paulista, onde se consolidou como um dos principais símbolos da luta por direitos da população LGBT+ no Brasil. Ao longo dos anos, temas como união estável, criminalização da LGBTfobia, identidade de gênero e adoção por casais homoafetivos estiveram entre as principais bandeiras defendidas pelo movimento.
Além da manifestação na Paulista, a programação deste ano inclui a Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, marcada para 4 de junho no Vale do Anhangabaú. O evento contará com ações de empregabilidade, apresentações culturais, testagem rápida de HIV e sífilis, distribuição de preservativos e debates voltados ao fortalecimento da comunidade LGBT+.
