A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (26), uma operação para cumprir mandados contra dois homens suspeitos de atuar ilegalmente como médicos e que seriam ligados a nove mortes de pacientes em um hospital da capital paulista.
Ao todo, foram expedidos dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão, cumpridos em diferentes cidades da Grande São Paulo, incluindo a capital, além de São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.
Segundo a investigação, os suspeitos teriam trabalhado como falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, localizado no bairro São Miguel Paulista, zona leste da capital. De acordo com a Polícia Civil, eles teriam realizado aproximadamente 2 mil atendimentos médicos ao longo de dois anos, mesmo sem habilitação legal para exercer a profissão.
As investigações apontam que nove mortes estariam relacionadas a falhas no atendimento prestado pelos investigados. A polícia apura se houve negligência, imperícia ou omissão durante os procedimentos realizados.
O delegado responsável pelo caso, José Mariano de Araujo Filho, afirmou que há indícios de irregularidades que vão além da atuação dos suspeitos.
Segundo ele, a investigação também identificou possíveis sinais de omissão e negligência administrativa por parte do hospital, além de suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro.
Por determinação judicial, a gestora operacional e o diretor clínico da unidade hospitalar deverão ser afastados de suas funções enquanto as investigações prosseguem.
Em nota divulgada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), foi informado que, até a atualização mais recente do caso, apenas um dos alvos havia sido localizado pelas equipes policiais.
A reportagem procurou manifestação do Hospital de Clínicas Jardim Helena sobre as acusações e o andamento da investigação. Até a publicação deste texto, não havia retorno oficial. O espaço segue aberto para posicionamentos dos envolvidos.
O material apreendido durante a operação deverá passar por análise pericial e integrar o inquérito conduzido pela Polícia Civil, que busca identificar o nível de responsabilidade de cada investigado e eventuais falhas institucionais relacionadas ao caso.
