Um músico de 36 anos procurou a Polícia Civil após afirmar ter sido vítima de extorsão por telefone em Araçatuba. Segundo o boletim de ocorrência, ele foi ameaçado por um homem desconhecido e acabou realizando quatro transferências via Pix, que somaram R$ 1.698,00. O caso aconteceu na noite de quarta-feira (27), por volta das 19h30.
De acordo com o registro policial, a vítima recebeu uma ligação de uma pessoa desconhecida, que perguntou se ele era professor de música e se mantinha atividade profissional no ramo. O músico confirmou as informações, momento em que o interlocutor passou a citar dados pessoais, endereço e detalhes relacionados à rotina profissional dele.
Ainda conforme o boletim, o homem ao telefone afirmou atuar com outros indivíduos ligados a uma suposta facção criminosa na “disciplina” do bairro. Ele também mencionou que teria conhecimento de furtos ocorridos na região e passou a questionar se a vítima havia feito alguma denúncia contra o grupo.
A vítima relatou à polícia que, cerca de dois meses antes, pequenos furtos haviam sido registrados nas imediações, incluindo a subtração de uma mangueira de jardim de sua residência e situações semelhantes narradas por uma vizinha. Apesar disso, o músico negou ter feito qualquer denúncia.
Segundo o B.O., o interlocutor insistiu que o nome da vítima constava como denunciante e, a partir daí, passou a fazer ameaças. O homem teria afirmado que um familiar de integrantes do grupo estaria detido e que seria necessário arrecadar dinheiro para sua liberação, alegando ainda o suposto envolvimento de uma autoridade policial corrupta.
Durante a ligação, o autor passou a exigir valores que variavam entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, dizendo que a vítima deveria “colaborar”. Diante da negativa do músico, que afirmou não possuir essa quantia, as ameaças teriam sido intensificadas. Segundo o relato, os criminosos disseram conhecer sua rotina, endereço, trabalho, familiares e uma empresa ligada à família.
Com medo pela própria segurança e pela integridade dos familiares, a vítima passou a negociar valores menores. Sob pressão psicológica, realizou inicialmente duas transferências via Pix, nos valores de R$ 499,00 e R$ 500,00, totalizando R$ 999,00.
Ainda de acordo com o boletim, após problemas com uma conta bancária, os autores orientaram a vítima a utilizar outro aplicativo financeiro. Em seguida, ela fez mais duas transferências, uma de R$ 499,00 e outra de R$ 200,00, destinadas à mesma conta indicada pelos criminosos.
Ao todo, o músico informou ter sofrido prejuízo de R$ 1.698,00. A pessoa vinculada à conta de destino dos pagamentos foi identificada no registro como investigada, mas a autoria da extorsão ainda é tratada como desconhecida.
O caso foi registrado como extorsão consumada, crime previsto no artigo 158 do Código Penal. A vítima foi orientada a apresentar documentos, comprovantes das transferências e demais elementos que possam auxiliar na investigação. A Polícia Civil deverá apurar a origem da ligação, a titularidade da conta utilizada nos pagamentos e a eventual participação de outras pessoas no crime.
