Uma manicure de 65 anos foi vítima de um golpe aplicado por criminosos que se passaram por advogados e teve um prejuízo de R$ 55 mil. O caso foi registrado na manhã desta terça-feira (26) na Central de Polícia Judiciária de Araçatuba.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima recebeu mensagens pelo WhatsApp de uma pessoa que se identificou como seu advogado. O estelionatário alegou que ela precisaria participar de uma suposta audiência virtual.
Acreditando se tratar de um profissional verdadeiro, a mulher aceitou entrar em uma videochamada. Durante a conversa, ela forneceu dados pessoais e bancários e chegou a acessar aplicativos financeiros seguindo as instruções do criminoso. Horas depois, ao verificar suas contas, ela constatou diversas transferências não autorizadas que somaram o prejuízo de R$ 55 mil.
A Polícia Civil vai instaurar inquérito para investigar o caso. A ocorrência se soma a uma onda de fraudes semelhantes na região. Dados da Polícia Civil mostram que só na área da Delegacia Seccional de Araçatuba, mais de 400 inquéritos sobre este tipo de golpe estão atualmente abertos .
A sofisticação dos golpes
O golpe do falso advogado tem se tornado cada vez mais comum e perigoso. Em todo o estado de São Paulo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já contabilizou 4.388 denúncias relacionadas ao crime em pouco mais de um ano e meio .
O presidente da OAB de Araçatuba, Pedro Augusto Chagas Júnior, explicou que o que mais preocupa as autoridades é a alta tecnologia empregada pelos criminosos.
“O que traz ainda mais preocupação é a sofisticação dos golpes com o uso inadequado, por exemplo, da inteligência artificial e a facilidade de obtenção de dados dos processos”, afirmou em nota.
Os criminosos frequentemente utilizam dados reais dos processos judiciais das vítimas – como números de ações e nomes de partes envolvidas – para dar credibilidade à farsa. Em muitos casos, eles também clonam fotos de perfis de redes sociais de advogados verdadeiros para enganar os clientes .
Como se proteger
Diante do aumento dos casos, a OAB mantém uma cartilha de prevenção disponível na internet com orientações claras para que clientes não caiam no golpe. Entre as principais recomendações estão:
- Desconfie de contatos por WhatsApp: Questões financeiras e processuais não devem ser tratadas apenas por mensagens. A OAB orienta que o cliente sempre ligue ou vá pessoalmente ao escritório para confirmar qualquer pedido .
- Não pague taxas para “liberar dinheiro”: Nenhum advogado solicita depósito em conta de terceiros ou pagamento de boletos para que o cliente possa receber valores de processos .
- Confira a identidade: A OAB disponibiliza a plataforma “ConfirmADV”, onde o cidadão pode verificar se o número de inscrição e os dados de um suposto advogado são verdadeiros .
- Colete provas e registre BO: Em caso de suspeita, a orientação é interromper o contato imediatamente, tirar prints da conversa e registrar um boletim de ocorrência na polícia.
A Polícia Civil segue investigando o caso da manicure para identificar os responsáveis pelas transferências.
