O Irã estuda o uso de armas não convencionais para responder ao bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, incluindo submarinos e golfinhos equipados com minas para atacar navios na região, segundo reportagem do Wall Street Journal. A hipótese foi apresentada em meio à escalada militar no Golfo Pérsico e ao aumento da pressão econômica sobre Teerã.
A possível estratégia ainda não foi confirmada como uma ação em curso. De acordo com a apuração citada pela imprensa americana, setores ligados ao regime iraniano avaliam que o bloqueio dos EUA às exportações de petróleo do país equivale a um ato de guerra, o que ampliaria a pressão por uma resposta militar.
Além da ameaça contra navios, autoridades e veículos ligados ao Irã também sinalizaram a possibilidade de mirar cabos submarinos de telecomunicações que passam pela região. A agência Tasnim, associada à Guarda Revolucionária, publicou um mapa de cabos submarinos no Golfo Pérsico, em um movimento interpretado por analistas como sinal de que a infraestrutura digital pode entrar no cálculo da crise.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. Segundo a Reuters, o bloqueio desse canal afetou cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás, elevou os preços da energia e aumentou o temor de uma desaceleração econômica.
A Marinha dos Estados Unidos também bloqueia exportações de petróleo bruto iraniano, o que reduziu de forma significativa os embarques do país. Dados citados pela Reuters indicam que apenas poucos navios com petróleo iraniano deixaram o Golfo de Omã entre 13 e 25 de abril, uma queda superior a 80% em relação a período comparável de março.
Apesar da escalada, o Irã enviou uma nova proposta de negociação aos Estados Unidos por meio de mediadores paquistaneses, informou a agência estatal IRNA. A Reuters relatou que o conteúdo da proposta não foi divulgado e que ainda não estava claro se o texto já havia sido encaminhado a Washington.
A notícia sobre a proposta iraniana reduziu temporariamente a pressão sobre o mercado de energia. O Brent para julho caiu para cerca de US$ 110 por barril nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, embora ainda caminhasse para fechar a semana em alta diante da instabilidade no Estreito de Ormuz.
