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Gaeco mira Faria Lima, centro financeiro do país, em esquema bilionário ligado ao PCC nos combustíveis

Operação “Fluxo Oculto” investiga lavagem de dinheiro, fraude fiscal e uso de fintechs por esquema ligado ao PCC.

por Fabricio Oliveira
28/05/2026 às 09:35
em POLÍCIA
servidor do Gaeco
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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira (28) a operação “Fluxo Oculto”, nova fase da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

A operação cumpre cerca de 60 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Segundo os investigadores, o esquema criminoso continuou funcionando mesmo após a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, utilizando novas empresas, fintechs e estruturas financeiras para lavar dinheiro, ocultar patrimônio e manter atividades ligadas à adulteração de combustíveis e à sonegação fiscal.

De acordo com o Ministério Público, a investigação revelou um sofisticado sistema de engenharia financeira que envolvia fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para dificultar o rastreamento dos recursos. Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações suspeitas de aproximadamente R$ 3,86 bilhões.

Os principais investigados são os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de “Beto Louco”. Ambos estão foragidos desde agosto do ano passado, após a Operação Tank, da Polícia Federal, realizada no mesmo período da Carbono Oculto.

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Segundo o MP, os investigados tentaram fechar acordos de delação premiada, mas as propostas foram rejeitadas. Os promotores afirmam que os empresários omitiram informações consideradas essenciais sobre lavagem de dinheiro, conexões com o PCC e suspeitas de corrupção policial.

A investigação aponta que o grupo passou a centralizar operações financeiras de dezenas de postos de combustíveis em contas únicas administradas por fintechs, prática conhecida como “conta-bolsão”. Nesse modelo, os valores de diferentes empresas eram concentrados em uma única conta bancária vinculada à instituição financeira, enquanto a identificação real dos donos do dinheiro ocorria apenas nos sistemas internos da plataforma.

Segundo o Gaeco, esse mecanismo criava uma camada de ocultação que dificultava o monitoramento por órgãos como o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Quando uma fintech passava a ser alvo de fiscalização, os recursos eram rapidamente transferidos para outra instituição.

Entre as empresas citadas na investigação estão BK Bank, Ceopag, Sispay, Vpay, Yaw e Smart Solutions Group. O Ministério Público afirma que algumas dessas instituições possuem histórico de fraudes e conexões com integrantes ou operadores ligados ao PCC.

A Smart Solutions Group, conforme os relatórios da investigação, movimentou mais de R$ 1,2 bilhão, sendo cerca de metade desse valor destinada à GGX Global, holding de postos vinculada ao grupo criminoso. Já a Ceopag registrou movimentações consideradas atípicas, com R$ 359 milhões em créditos e R$ 513 milhões em débitos em curto espaço de tempo.

A operação também mira a chamada “máfia do nafta”, esquema que utilizava solventes petroquímicos importados, com tributação reduzida, para adulterar gasolina automotiva. Segundo as investigações, empresas produtoras e importadoras emitiam notas fiscais falsas para simular vendas a indústrias químicas de fachada registradas em nome de “laranjas”.

Na prática, o produto não era entregue às empresas declaradas nas notas fiscais. Os caminhões desviavam as rotas e descarregavam a nafta diretamente em distribuidoras e terminais terrestres, onde o solvente era misturado à gasolina tipo A antes de chegar aos postos.

O Ministério Público afirma que mais de 135 milhões de litros de nafta foram desviados em pouco mais de dois anos. Apenas a empresa Petrodansk teria emitido mais de 10 mil notas fiscais falsas, somando cerca de R$ 1,49 bilhão em operações.

O prejuízo estimado com a sonegação fiscal ultrapassa R$ 200 milhões. Entre os alvos dessa frente da investigação estão produtores, operadores logísticos, distribuidoras e empresas de transporte apontadas como integrantes do esquema.

Outra linha da operação investiga o uso de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) como etapa final da lavagem de dinheiro. Segundo o MP, fundos fechados com poucos cotistas eram utilizados para quitar boletos emitidos por empresas de fachada, simulando operações financeiras legais para dar aparência lícita aos recursos obtidos com a adulteração de combustíveis.

Para bloqueio patrimonial, a Justiça autorizou medidas que atingem fundos investigados com patrimônio estimado em R$ 85 milhões, R$ 72 milhões e R$ 47 milhões.

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