O estado de São Paulo registrou, no primeiro trimestre de 2026, o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2018. Foram 86 casos entre janeiro e março — um aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 61 registros, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública.
O crescimento consolida uma tendência observada nos últimos anos, embora especialistas ressaltem que parte da alta pode estar ligada à melhor identificação e classificação desse tipo de crime, tipificado no Brasil desde 2015. Ainda assim, o avanço preocupa, principalmente por ocorrer em contraste com a queda de outros índices criminais, como homicídios, roubos e furtos no estado.
Um dos casos que marcaram o período foi o da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, morta em fevereiro na capital paulista. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio após novas evidências. O principal suspeito é o marido da vítima, que nega a acusação e responde ao processo preso preventivamente.
Além dos feminicídios, outros indicadores de violência contra mulheres seguem em níveis elevados. Foram registrados 3.852 casos de estupro no trimestre, número praticamente estável em relação ao ano anterior.
Especialistas apontam que o aumento das denúncias pode estar relacionado à ampliação dos canais de atendimento e maior conscientização das vítimas. Por outro lado, destacam que o enfrentamento do problema exige mudanças estruturais, incluindo combate à cultura machista, melhoria na rede de proteção e maior efetividade das medidas protetivas.
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que cerca de 13% das vítimas de feminicídio no país tinham medidas protetivas ativas no momento do crime, o que evidencia falhas na proteção mesmo após a denúncia.
Diante do cenário, a Polícia Militar anunciou novas ações para reforçar o combate à violência doméstica, como a criação de patrulhas especializadas e ampliação do atendimento às vítimas. Ainda assim, especialistas alertam que o enfrentamento da violência de gênero depende de políticas públicas contínuas e mudanças culturais profundas.
