A Justiça condenou nessa quarta-feira (20) o ex-motorista de transporte escolar José Antonio Mamprim, de 69 anos, a 135 anos de reclusão em regime fechado pelos crimes de estupro e estupro de vulnerável contra seis meninas no município de Colina, interior de São Paulo . Conhecido na cidade como “Careca”, ele já está preso, não poderá recorrer em liberdade e perdeu a função pública que ocupava .
A sentença, proferida após denúncia do promotor Aluisio de Souza Marcelo, atestou que o réu se aproveitava da relação de autoridade sobre as vítimas para cometer os abusos — circunstância que agravou a pena. Além da prisão, Mamprim foi condenado a pagar R$ 10 mil em indenização para cada uma das seis vítimas .
De acordo com as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, os crimes ocorreram entre 2012 e 2025, e as vítimas tinham entre 11 e 17 anos. Uma delas é cega e muda. O caso veio à tona em outubro de 2025, quando uma adolescente de 12 anos escreveu uma carta à professora relatando os abusos sofridos no ano anterior durante o transporte escolar .
Como o motorista agia
Segundo os autos, Mamprim atuava no transporte escolar da zona rural de Colina há cerca de 30 anos, por meio de empresa terceirizada pela prefeitura. O modus operandi era sempre o mesmo: ele tecia elogios constantes aos corpos das vítimas e abordava assuntos com conotação sexual, descrevendo atos de conjunção carnal e outros atos libidinosos.
O motorista escolhia as meninas e, via de regra, deixava a residência delas por último no trajeto, após as demais crianças já terem sido levadas para casa. Sozinho com a vítima, ele passava a cometer os abusos, que incluíam toques nas pernas, beijos forçados e relações sexuais.
Uma das adolescentes relatou à polícia que Mamprim pedia que ela descrevesse as próprias partes íntimas e dizia ter vontade de manter relações sexuais com ela. Em outra ocasião, ele a beijou à força após dizer que a considerava como uma filha e pedir um beijo no rosto.
Ameaças e consequências às vítimas
Segundo o Ministério Público, o réu ameaçava as vítimas e seus familiares de morte caso relatassem os fatos a alguém. As ameaças surtiram efeito por anos, até que a adolescente de 12 anos rompeu o silêncio.
As mães das vítimas afirmaram à polícia que as filhas tiveram mudanças de comportamento e precisaram de acompanhamento psicológico. Uma das estudantes, de 12 anos, só revelou os crimes após apresentar episódios de automutilação, motivados pela sensação de nojo em função dos abusos sofridos.
Prisão e andamento do processo
Mamprim foi preso temporariamente em 9 de outubro de 2025 no bairro Cohab III, em Colina, sem resistir à ação policial. A Justiça acatou o pedido da Polícia Civil, que argumentou haver risco de o suspeito comprometer as investigações ou constranger mais vítimas se permanecesse em liberdade. Com a condenação desta quarta-feira, o ex-motorista permanecerá preso em regime fechado.
