Um evento realizado na última Sexta-Feira Santa tem gerado forte repercussão e dividido opiniões em Araçatuba. O evento, denominado “Sangria Profana”, ocorreu no prédio utilizado pelo Centro Cultural Associata, imóvel público cedido pelo município fica localizado na rua XV de Novembro, e provocou críticas de lideranças religiosas e políticas.

Entre os que se manifestaram estão a vereadora Edna Flor e o vereador Ícaro Morales, além de representantes evangélicos como o prefeito Lucas Zanatta e o vereador Fernando Fabris. Também houve manifestações de outros líderes religiosos e comunitários, como a vereadora Sol do Autismo.
Segundo os críticos, a festa teria desrespeitado símbolos do cristianismo, o que gerou indignação, especialmente por ter sido realizada em uma data considerada sagrada para fiéis.
Prefeitura decide retomar imóvel
Em pronunciamento nesta segunda-feira, o prefeito Lucas Zanatta afirmou que a administração municipal decidiu revogar a cessão do espaço público utilizado pela entidade.
“Isso fere a moralidade, fere as famílias, fere os valores de Araçatuba. Há limites, e eles foram ultrapassados. Nós não seremos tolerantes a isso”, declarou.
Em nota oficial, a Prefeitura informou que notificou a Associação dos Artistas Teatrais da Região de Araçatuba (Associata) sobre a revogação do Termo de Permissão de Uso (TPU) do imóvel, concedido em 2023, durante a gestão anterior. O espaço, localizado na região da Vila Ferroviária, deverá ser devolvido em até 90 dias, nas mesmas condições de uso.
Entidade se manifesta e critica decisão
Em resposta, a Associata divulgou nota defendendo a atuação do espaço cultural e destacando seu papel na promoção da arte e da diversidade cultural. Segundo a entidade, mais de 10 mil pessoas já foram atendidas em cerca de 900 atividades realizadas no local.
A instituição também pediu desculpas a quem se sentiu ofendido, mas criticou a repercussão do caso e a condução política do episódio.
“É triste que, em 2026, agentes políticos façam uso da desinformação para obter engajamento. O Estado é laico e a desinformação é crime”, afirmou a nota assinada pelo diretor Caique Teruel de Paula.
Vereadores acionam Ministério Público
Parlamentares também adotaram medidas formais. Os vereadores Fernando Fabris e João Pedro Pugina informaram que protocolaram denúncia no Ministério Público para apuração do caso.
Fabris declarou que busca esclarecimentos sobre o evento realizado em espaço público. Já Pugina classificou o episódio como um “absurdo” e afirmou que houve tentativa de ofensa à fé cristã.
