Uma fotografia que mostra um soldado israelense destruindo uma estátua de Jesus Cristo no sul do Líbano provocou uma onda de indignação nas redes sociais e levou as autoridades militares de Israel a abrir uma investigação sobre o caso. A imagem viralizou durante o fim de semana e, segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), é autêntica.
O registro mostra um militar usando uma marreta para atingir uma estátua de Jesus crucificado, cuja estrutura aparece caída da cruz. A escultura fica na vila de Debel, no distrito de Bint Jbeil, uma comunidade de maioria cristã localizada próxima à fronteira entre Líbano e Israel. Autoridades locais confirmaram que a estátua pertence à cidade, mas inicialmente não conseguiram confirmar o nível de danos causados ao monumento religioso.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, as IDF afirmaram que a fotografia retrata um soldado israelense em operação na região e classificaram o episódio como de “extrema gravidade”. O Exército declarou que a atitude do militar é incompatível com os valores e padrões esperados das tropas israelenses e informou que o caso está sendo investigado pelo Comando Norte.
A instituição militar também declarou que medidas disciplinares poderão ser adotadas após a conclusão da investigação. Além disso, as Forças Armadas informaram que trabalham para ajudar a comunidade local na recolocação da estátua no local original. O comunicado destacou ainda que as operações militares na região têm como objetivo combater a infraestrutura do grupo Hezbollah e não têm intenção de atingir símbolos religiosos ou estruturas civis.
A fotografia teria sido publicada inicialmente na rede social X pelo jornalista palestino Younis Tirawi. A agência Reuters confirmou que o local mostrado na imagem corresponde à vila de Debel, uma das poucas comunidades do sul do Líbano onde parte dos moradores permaneceu durante a recente ofensiva militar israelense na região.
Líderes religiosos locais reagiram com indignação ao episódio. O padre Fadi Falfel afirmou que a cruz fazia parte de um pequeno santuário localizado no jardim de uma residência na periferia da vila e classificou o ato como uma profanação de símbolos sagrados da comunidade cristã.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também se manifestou publicamente e condenou o ocorrido. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou ter ficado “triste e chocado” ao saber do incidente e destacou que o ato contraria os valores judaicos de tolerância religiosa. Netanyahu acrescentou que as autoridades militares conduzem uma investigação criminal e que as medidas disciplinares cabíveis serão aplicadas ao responsável.
Autoridades israelenses também pediram desculpas à comunidade cristã afetada. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificou a atitude do soldado como vergonhosa e afirmou que o governo lamenta profundamente o episódio e os sentimentos feridos entre os fiéis.
