O aposentado Floriano Damas Claro, de 65 anos, ex-paciente oncológico do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), transformou uma experiência difícil em motivação para uma nova fase de vida. Após superar um câncer de próstata em 2009, ele retomou a paixão pela bicicleta e passou a participar de competições de longa distância, com percursos que chegam a 600 quilômetros.
Floriano, que trabalhou como motorista na Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (SES), realizou o tratamento contra o câncer no Centro de Atendimento Médico-Ambulatorial (Ceama) de Araçatuba, unidade do Iamspe. Após superar a doença, decidiu investir em atividades que proporcionassem mais qualidade de vida e bem-estar, resgatando um interesse que surgiu ainda na infância: o ciclismo.
Aos 56 anos, em 2017, começou a participar de competições. No entanto, naquele mesmo ano, enfrentou um novo desafio ao ser diagnosticado com hérnia de disco. Segundo ele, as dores eram intensas e limitavam até atividades simples do dia a dia.
“Eu não conseguia andar, não conseguia nem me deitar. Optei pelo tratamento de bloqueio com a aplicação de medicamentos na coluna. Depois de uns quatro meses, consegui voltar a pedalar”, relembra.
Pouco tempo depois, Floriano iniciou a preparação para provas de Audax, modalidade de ciclismo de longa distância que exige resistência física e preparo emocional. Nessas competições, os participantes percorrem trajetos que variam entre 200 e 600 quilômetros dentro de um tempo determinado, passando por pontos de controle onde recebem água e alimentação.
“Costumo dizer que a sensação de completar uma prova dessas só quem pedala entende. É uma emoção muito grande. Todas são especiais, principalmente as de longa distância”, conta.
Em 2018, ele completou pela primeira vez uma série completa de Audax, composta por provas de 200, 300, 400 e 600 quilômetros, conquistando o título de ciclista autossuficiente — reconhecimento dado aos atletas que conseguem concluir os percursos sem apoio externo. Desde então, acumulou oito provas de 200 quilômetros, três de 300 quilômetros, uma de 400 e outra de 600 quilômetros, além de medalhas obtidas em trilhas.
Para o ciclista, o espírito de companheirismo é um dos principais aspectos das competições. Segundo Floriano, nas provas de longa distância não há foco apenas em quem chega primeiro. “Todos que completam são vencedores. Existe muito companheirismo. Quando a gente chega, forma-se um corredor de aplausos. É uma sensação indescritível”, afirma.
Atualmente, Floriano segue em acompanhamento médico no Iamspe e se prepara para participar de uma nova competição prevista para o segundo semestre de 2026.
A história também reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer. O tema ganha destaque no Dia Mundial da Luta Contra o Câncer, celebrado em 8 de abril, data que busca conscientizar a população sobre a necessidade de exames regulares e da adoção de hábitos saudáveis para a manutenção da saúde.
