A Associação Esportiva Araçatuba (AEA) começou a semana com um novo comando. O secretário-geral Marcelo Bianchi assumiu oficialmente a presidência interina do clube na última segunda-feira (20), após o impedimento — espécie de impeachment — do então presidente executivo, Rodrigo Francisco da Silva.
A decisão pelo afastamento foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 12 de abril, com votação unânime dos conselheiros. Com a renúncia do vice-presidente logo em seguida, Bianchi passou a responder pela condução do clube, seguindo o que determina o estatuto social da entidade.
Reconhecimento da Federação
De acordo com nota divulgada pelo Conselho Deliberativo, o novo presidente em exercício já deu início aos procedimentos para regularizar a situação institucional da AEA. A Federação Paulista de Futebol (FPF) já reconhece oficialmente Marcelo Bianchi no cargo, o que permite ao clube cumprir suas obrigações esportivas e administrativas junto à entidade.
Bianchi deve permanecer à frente do clube até dezembro de 2026, quando terminaria o mandato de Rodrigo Silva. Não há previsão de nova eleição nos próximos meses.
Transição para SAF é prioridade
Um dos principais desafios da nova gestão é dar continuidade ao processo de transição da AEA para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Segundo a nota do Conselho Deliberativo, Bianchi e os conselheiros já mantêm contato direto com os representantes da SAF interessada no clube, buscando celeridade às negociações.
A expectativa é que as tratativas viabilizem alternativas estruturais consideradas estratégicas para fortalecer a instituição e abrir uma nova perspectiva para o futuro da Associação Esportiva Araçatuba.
Por que Rodrigo Silva foi afastado?
O processo de impedimento contra o ex-presidente foi aberto oficialmente no dia 3 de abril pelo presidente do Conselho Deliberativo, Michael Luís Correia. A medida teve como base o artigo 64 do Estatuto Social da AEA, que prevê o afastamento em casos como:
- Indícios de prejuízo considerável ao patrimônio do clube
- Danos à imagem institucional da associação
- Não aprovação das contas referentes à gestão
- Possíveis infrações às normas estatutárias
A crise que culminou no afastamento veio à tona no início de abril, quando a AEA deixou de entrar em campo contra o Jabaquara pelo Campeonato Paulista da Série A4. O time não pôde disputar a partida por insuficiência de atletas — o chamado “W.O.” — o que gerou forte repercussão negativa. Além disso, havia indícios de atraso no pagamento de salários de atletas e profissionais referentes às temporadas de 2025 e 2026, além da falta de prestação de contas por parte da gestão anterior.
Regularização administrativa
A gestão interina, sob a condução de Marcelo Bianchi e com o suporte do Conselho Deliberativo, já trabalha ativamente pela retomada da estabilidade da entidade. Os procedimentos necessários para a regularização administrativa e institucional do clube junto aos órgãos competentes já estão em andamento.
Vale lembrar que este foi o segundo processo de impedimento enfrentado por Rodrigo Silva. O primeiro, no ano passado, não foi adiante porque o então presidente recorreu à Justiça e conseguiu uma liminar para permanecer no cargo. Desta vez, porém, o Conselho Deliberativo decidiu de forma unânime pelo afastamento definitivo.
