Um policial militar agrediu pelo menos dois estudantes dentro da Escola Estadual Senor Abravanel, antiga Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no início da manhã desta quarta-feira (25), durante um protesto organizado por movimentos estudantis.
Parte da ação foi registrada em vídeo (veja mais abaixo) e publicada nas redes sociais. Após a divulgação das imagens, o comando da corporação determinou o afastamento preventivo do agente, identificado, segundo apuração, como um subtenente do Batalhão de Choque que estava de serviço no programa Segurança Presente.
As imagens que circularam nas redes mostram o momento em que o policial discute com João Herbella, de 23 anos, diretor do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (DCE/UFRJ), sobre a apreensão de um celular. Em seguida, Marissol Lopes, de 20 anos, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames Rio), tenta intervir e pede que o militar não encoste nela.
Na sequência, o policial desfere dois tapas no rosto da estudante, chegando a rasgar a camisa dela. Pouco depois, Theo Oliveira, de 18 anos, diretor da Ames Rio, se aproxima para tentar ajudá-la e é atingido com um soco no rosto, sendo derrubado. Antes do fim da gravação, o policial ainda volta a agredir Marissol com mais um tapa.
Vídeo
Na manhã de desta quarta-feira (25), a presidente e o diretor da AMES-RJ junto do diretor do DCE da UFRJ foram agredidos e detidos pela Polícia Militar na Escola Estadual Amaro Cavalcanti (atual Escola Senhor Abravanel), no Largo do Machado.
— Glauber Braga (@Glauber_Braga) March 25, 2026
Os representantes das entidades… pic.twitter.com/A228xLy1n9
Assédio sexual
De acordo com a Ames Rio, representantes de entidades estudantis foram chamados por alunos da própria escola para acompanhar uma mobilização em defesa do afastamento de um professor acusado de assédio sexual. Segundo a associação, o ato havia sido organizado pelo grêmio estudantil da unidade, e o objetivo era reforçar um abaixo-assinado e cobrar providências em relação a um caso que, conforme os manifestantes, já era antigo, mas teria voltado a ganhar repercussão recentemente.
A entidade afirma ainda que a Secretaria Estadual de Educação havia autorizado a entrada dos representantes no colégio, mas que a direção da escola teria impedido o acesso e acionado equipes do Segurança Presente.
Em relato após o episódio, Marissol Lopes afirmou que ela e outros representantes estudantis foram à unidade a pedido dos alunos que buscavam apoio para denunciar o caso. Segundo a estudante, a tentativa de diálogo com os policiais foi praticamente inexistente e a abordagem ocorreu de forma violenta.
A Ames Rio também declarou que, além das agressões registradas dentro da escola, houve continuação da ação do lado de fora, com uso de spray de pimenta e cassetetes. Ao fim da ocorrência, Marissol, Theo e João Herbella foram detidos.
O que dizem as autoridades
A direção da Escola Estadual Senor Abravanel informou que, na semana anterior, um professor denunciou um colega por um suposto caso de assédio sexual contra uma aluna. A unidade declarou que abriu uma investigação interna e que ouviria, ao longo desta semana, a estudante e seus responsáveis.
Segundo a direção, o afastamento de um docente não pode ser determinado antes da oitiva de todas as partes envolvidas.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que, diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens, o comando da corporação determinou que a Corregedoria-Geral instaurasse procedimento para apurar imediatamente a conduta do agente. A corporação informou ainda que o militar já foi identificado, será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar e foi preventivamente afastado do policiamento nas ruas. No comunicado, a PM reiterou o compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de apurar com atenção e transparência a conduta de seus policiais em serviço.
A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) também se manifestou e lamentou o ocorrido. Em nota, a pasta declarou que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar e classificou esse tipo de prática como incompatível com os princípios da educação pública. A secretaria afirmou que dará apoio aos estudantes envolvidos e a seus familiares.
Ainda segundo a Seeduc, a direção da unidade acionou a Polícia Militar de forma preventiva, durante o protesto, com o objetivo de preservar a segurança e manter um ambiente propício ao diálogo. A pasta acrescentou que qualquer atuação em espaço escolar deve respeitar rigorosamente os protocolos, os estudantes e o uso adequado dos procedimentos.
Nota da Polícia Militar
“O comando da Corporação, diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens captadas na referida unidade de ensino, determinou que a Corregedoria-Geral instaure um procedimento para apurar a conduta do agente de maneira imediata.
O militar já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Nesse contexto, o policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas.
A Polícia Militar reitera seu compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de sempre apurar com a atenção e transparência necessárias a conduta de seus policiais em serviço.”
Nota da Secretaria Estadual de Educação
“A Secretaria Estadual de Educação lamenta o ocorrido e reforça que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública. A Seeduc prestará todo apoio aos estudantes envolvidos e seus familiares.
A direção da unidade acionou a Polícia Militar durante um protesto de alunos de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo. A Secretaria destaca que toda atuação em espaço escolar deve respeitar rigorosamente os protocolos, os estudantes e o uso adequado dos procedimentos.
A Seeduc reafirma seu compromisso com um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade.”
