Uma operação da Polícia Civil mobilizou equipes na manhã desta segunda-feira (30) em cidades do noroeste paulista para combater uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes no financiamento de veículos. A ação foi coordenada a partir do município de Catanduva e envolve o cumprimento simultâneo de dezenas de mandados judiciais.
Ao todo, estão sendo cumpridos 21 mandados de prisão temporária e 52 mandados de busca e apreensão nas cidades de Paraíso, Pindorama, São José do Rio Preto e Severínia, além da própria Catanduva. A operação também inclui pedidos de bloqueio de contas bancárias, bens e imóveis dos investigados.
Esquema envolvia centenas de veículos e valores milionários
Segundo as investigações, o grupo criminoso teria utilizado empresas de fachada, conhecidas como “laranjas”, para obter financiamentos de veículos de alto valor sem realizar o pagamento das parcelas. Até o momento, a polícia identificou 278 veículos ligados ao esquema, com valor estimado em mais de R$ 22,6 milhões.
A análise financeira conduzida pelos investigadores revelou ainda movimentações suspeitas em 139 contas bancárias, que somaram mais de R$ 129 milhões durante o período investigado.
Como funcionava o golpe
De acordo com a polícia, o esquema consistia na formalização fraudulenta de contratos de financiamento por meio de empresas fictícias. Após a liberação do crédito e a aquisição dos veículos, os automóveis eram escondidos para dificultar a localização durante processos judiciais.
Em seguida, os integrantes negociavam com as instituições financeiras a quitação das dívidas por valores muito inferiores ao total devido, aproveitando a dificuldade dos bancos em recuperar os bens. Depois da retirada das restrições legais, os veículos eram revendidos pelo valor de mercado, gerando lucro ilegal elevado e prejuízos significativos ao sistema financeiro.
Ameaças e violência durante as investigações
As investigações também apontaram o uso de intimidação e violência por parte dos suspeitos para manter o funcionamento do esquema. Segundo a polícia, agentes contratados por instituições financeiras para localizar veículos teriam sido agredidos, e oficiais de Justiça chegaram a ser ameaçados durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
A operação segue em andamento, e novos desdobramentos não estão descartados pelas autoridades, que continuam reunindo provas para responsabilizar todos os envolvidos no esquema criminoso.
