Um laudo do Instituto Médico Legal concluiu que a estudante de medicina Carolina Andrade Zar, de 22 anos, morreu em decorrência de intoxicação aguda por arsênio, caracterizando envenenamento por agente químico. A informação representa uma mudança importante nos rumos da investigação sobre a morte da jovem.
Carolina foi encontrada desacordada em maio de 2025 na cidade de Marília, interior de São Paulo, e chegou a ser socorrida, mas morreu no mesmo dia após ser levada a um hospital do município. Na ocasião, o caso havia sido registrado inicialmente como suicídio.
Com a conclusão da perícia, finalizada no fim de janeiro de 2026, a Polícia Civil passou a investigar a possibilidade de participação de terceiros no episódio, segundo o g1.
Segundo a defesa da família, há suspeita de que o então namorado da estudante possa ter tido influência direta em acontecimentos que antecederam a morte. Entre os pontos levantados pela família está um aborto que teria sido provocado em 2024, supostamente sob influência do rapaz.
Para o advogado da família, Caio Silva, a confirmação da presença de arsênio no organismo da jovem representa um avanço nas apurações. Segundo ele, a investigação agora deve concentrar esforços em identificar a origem da substância e verificar se houve participação de outras pessoas em sua obtenção.
A polícia também aguarda o resultado da perícia em dispositivos eletrônicos apreendidos durante as investigações, como o celular e o tablet da estudante. A expectativa é que a análise dos equipamentos permita recuperar mensagens e registros de comunicação que possam ajudar a esclarecer os fatos.
Investigação
O inquérito sobre a morte de Carolina foi instaurado em 26 de maio de 2025 para apurar possíveis crimes relacionados ao caso. Entre as hipóteses investigadas estão aborto provocado e possível indução ao suicídio, que teriam ocorrido no contexto do relacionamento da jovem.
De acordo com o pai da estudante, o advogado Fauez Zar Junior, os aparelhos eletrônicos apreendidos pela polícia conteriam registros importantes deixados pela filha antes de morrer.
Segundo ele, a jovem teria reunido cerca de 65 páginas com mensagens, capturas de tela de conversas e explicações sobre fatos que antecederam sua morte. Ainda conforme o pai, também existe um áudio de aproximadamente 17 minutos gravado pela estudante, que funcionaria como uma espécie de depoimento.
A família afirma que nesses registros Carolina relata episódios relacionados ao aborto ocorrido em 2024 e descreve situações que, segundo eles, teriam agravado o quadro de depressão enfrentado pela jovem.
O processo corre sob segredo de Justiça, e o material citado pela família não foi divulgado publicamente. A reportagem tenta contato com a defesa do ex-namorado mencionado nas investigações. Enquanto isso, a Polícia Civil segue com as diligências para esclarecer as circunstâncias da morte da estudante.
