Uma história marcada por coragem, resistência e esperança emocionou profissionais da saúde e pacientes durante as comemorações do Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março. A protagonista é Maria Aparecida Cavalcanti, conhecida carinhosamente como Bebel, que há 30 anos realiza tratamento contínuo de hemodiálise, sendo a paciente mais antiga em acompanhamento no Serviço de Nefrologia da Santa Casa de Araçatuba.
Atualmente atendida no Hospital do Rim de Araçatuba, Bebel tornou-se um símbolo de superação para toda a equipe médica. Segundo o médico nefrologista Akiyoshi Ugino, o caso é raro e representa um exemplo de persistência diante das limitações impostas pela doença renal crônica.
De acordo com o especialista, são poucos os pacientes no país que permanecem por três décadas em tratamento de hemodiálise, uma terapia que substitui a função dos rins ao filtrar o sangue por meio de máquinas. Mesmo dependendo do procedimento há tantos anos, Bebel segue levando uma vida ativa, trabalhando e mantendo uma rotina que inspira colegas e profissionais da saúde.
Início da luta
A trajetória de Bebel com a doença começou aos 38 anos, após complicações decorrentes de um parto prematuro. Na época, ela morava na cidade de São Paulo e foi avaliada por especialistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde recebeu a notícia de que dependeria da hemodiálise para sobreviver.
Desde então, ela encarou o tratamento com determinação. Dos 30 anos de terapia renal substitutiva, 26 foram dedicados ao acompanhamento no Hospital do Rim em Araçatuba.
Bebel lembra com carinho da evolução da unidade de tratamento. Segundo ela, no início o procedimento era realizado em uma sala dentro da própria Santa Casa. Ao longo dos anos, acompanhou o crescimento da estrutura e a inauguração oficial do hospital, ocorrida em 2014.
“Quando comecei, o tratamento era feito em uma sala dentro da Santa Casa. Eu vi o Hospital do Rim ser construído. No dia da inauguração dei várias entrevistas. Aqui é a minha casa, e essa equipe maravilhosa é a minha família”, contou.
Com bom humor, ela também destaca o vínculo criado ao longo das décadas com os médicos que acompanham seu tratamento. “Quando comecei, os doutores Akiyoshi, Luiz e Sérgio eram bem novinhos; eu também era. São tantos anos que até deu tempo do filho do Dr. Akiyoshi se formar e agora tenho dois Uginos cuidando da minha saúde”, brinca.
Para a equipe médica, a história de Bebel representa não apenas um caso clínico marcante, mas também um exemplo de esperança e força para outros pacientes que enfrentam o desafio diário do tratamento renal.
