O processo de licitação para concessão do estacionamento rotativo, conhecido como Zona Azul, em Araçatuba segue suspenso por determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). A medida cautelar foi adotada para que o órgão fiscalizador analise o edital e os anexos do processo antes da continuidade da concorrência pública.
De acordo com a Prefeitura, ainda não há previsão para a abertura da licitação, já que a retomada depende da conclusão da análise por parte do TCE-SP. Enquanto o processo permanece paralisado, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana adotou medidas provisórias para ampliar a oferta de vagas na região central da cidade.
Entre elas, está a implantação de 110 vagas de curta duração, com tempo máximo de permanência de 30 minutos, conforme regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Segundo a administração municipal, novas vagas desse tipo poderão ser instaladas em pontos onde for constatada necessidade, inclusive em áreas próximas à Santa Casa, até que o processo de concessão do estacionamento rotativo seja retomado.
A ausência da Zona Azul continua gerando debates entre comerciantes e consumidores que frequentam o centro de Araçatuba. Apesar disso, parte dos lojistas avalia de forma positiva a criação das vagas de curta duração, embora defendam a retomada do sistema rotativo para melhorar a organização do estacionamento.
Administrador de um centro de compras no centro da cidade, Marcelo Benício de Souza afirma que o estacionamento rotativo é importante para garantir a rotatividade das vagas destinadas aos clientes.
Segundo ele, sem a Zona Azul, muitos funcionários de lojas acabam deixando seus veículos estacionados durante todo o período de trabalho nas ruas centrais, o que dificulta o acesso dos consumidores.
“O lojista precisa entender que as vagas na área central são para os clientes. Quando ficamos sem Zona Azul, os consumidores tinham dificuldade para encontrar lugar para estacionar. É importante, com a zona azul, ter orientação para quem não sabe usar aplicativos ou totens, e a fiscalização precisa ter bom senso”, afirma.
Marcelo lembra que a prefeitura implantou vagas temporárias em alguns pontos, permitindo permanência de até 30 minutos com o pisca-alerta ligado, mas a regra nem sempre é respeitada pelos usuários.
“Depois abriram algumas vagas rotativas e melhorou um pouco, mas ainda não é suficiente. O centro continua lotado. A falta da Zona Azul acaba gerando prejuízo para o comércio”, acrescenta.
Gerente de uma loja do setor calçadista, Wellington Marques também defende a retomada do sistema. Segundo ele, após o fim da Zona Azul ficou ainda mais difícil encontrar vagas nas ruas da região central.
“Mesmo com alguns problemas que existiam, como parquímetros quebrados, quando o sistema acabou ficou mais difícil estacionar. Agora melhorou um pouco com algumas vagas rotativas, mas ainda tem muita reclamação de clientes”, relata.
Já Evelin Pinheiro, gerente de uma loja de departamento, afirma que a falta de organização no uso das vagas tem prejudicado tanto comerciantes quanto consumidores. Ela relata situações frequentes de veículos estacionados de forma irregular, motos ocupando vagas destinadas a carros e uso indevido de áreas de carga e descarga.
“Antes muitas pessoas utilizavam estacionamentos particulares. Agora quase todo mundo tenta parar na rua. Tem carro que ocupa vaga de carga e descarga por horas. Sem a Zona Azul acaba virando uma situação desorganizada”, afirma.
Segundo Evelin, a mudança também impactou estabelecimentos que dependem do fluxo constante de clientes. “Um estacionamento ao lado da loja onde trabalho está até vendendo o ponto porque o movimento caiu muito. A Zona Azul ajuda a disciplinar o uso das vagas e melhorar a rotatividade”, completa.
