A cidade de Araçatuba registrou um marco preocupante na série histórica da chikungunya. Pela primeira vez desde 2016, quando os casos da doença começaram a ser monitorados no município, foram confirmadas duas mortes causadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti – o mesmo vetor da dengue.
As informações constam no boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com o levantamento, os óbitos ocorreram em fevereiro deste ano. As vítimas eram idosos, com 79 e 89 anos, e apresentavam comorbidades, fatores que aumentam o risco de evolução grave da doença.
Os casos estavam sob investigação e aguardavam confirmação laboratorial, que agora atestou a relação direta entre a infecção e as mortes.
Cenário de alerta
O registro desses primeiros óbitos por chikungunya em Araçatuba acende um sinal de alerta para as autoridades de saúde e para a população. Até o momento, a cidade já contabiliza 177 casos da doença em 2026. A distribuição ao longo dos meses mostra uma tendência de circulação intensa do vírus: 91 casos foram registrados em janeiro, 72 em fevereiro e 14 em março.
Os números indicam que, embora haja uma queda nas notificações nos últimos dias, a transmissão ainda preocupa, especialmente entre os grupos de risco.
Sintomas e cuidados
A chikungunya é uma doença viral que tem como principal característica as dores intensas nas articulações. Os sintomas costumam surgir entre dois e sete dias após a picada do mosquito infectado. Os sinais mais comuns incluem:
- febre alta repentina;
- dores intensas nas articulações, principalmente mãos, punhos, pés e tornozelos;
- dores musculares;
- dor de cabeça;
- fadiga;
- manchas avermelhadas na pele.
Em muitos casos, o desconforto articular pode persistir por semanas, meses ou até anos, exigindo acompanhamento médico contínuo. Pessoas idosas, como as vítimas confirmadas em Araçatuba, e aquelas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, estão entre os grupos mais vulneráveis a complicações.
Não há tratamento específico
Diferente de outras doenças, não existe tratamento antiviral específico para eliminar o vírus da chikungunya. O manejo da doença é baseado em medidas de suporte: repouso, hidratação abundante e uso de medicamentos para alívio da febre e das dores, sempre sob orientação médica.
Um cuidado importante destacado pelas autoridades de saúde é que anti-inflamatórios não devem ser utilizados nos primeiros dias da doença até que se descarte a possibilidade de dengue. Isso ocorre porque esses medicamentos podem aumentar o risco de hemorragias em pacientes com dengue, complicação que pode ser fatal.
Prevenção
A única forma eficaz de evitar a chikungunya, assim como a dengue e o zika vírus, é combater os criadouros do Aedes aegypti. A recomendação das autoridades é que a população elimine qualquer recipiente que possa acumular água parada, como vasos de plantas, pneus, garrafas e calhas entupidas.
Com a confirmação das primeiras mortes, a Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância da procura imediata por atendimento médico ao surgimento dos primeiros sintomas, especialmente em idosos e pessoas com comorbidades.
