A Justiça de Birigui realiza nesta terça-feira (3) o primeiro Tribunal do Júri de 2026, em um caso que choca pela frieza e violência. Duas irmãs, Valéria Santos da Silva e Beatriz Santos da Silva, serão julgadas pela dupla tentativa de homicídio contra duas jovens, ocorrida em setembro de 2016, no bairro Margareth Vargas. O crime completa quase dez anos sem resolução definitiva.
A sessão está marcada para as 9h no Fórum de Birigui e será presidida pela juíza Moema Moreira Ponce Lacerda. O promotor de Justiça Rodrigo Mazzilli Marcondes, do Ministério Público do Estado de São Paulo, será responsável pela acusação. O julgamento é aberto ao público, mas não será permitido fotografar ou filmar durante os trabalhos.
Vingança após briga motivou crime
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu no dia 14 de setembro de 2016, por volta das 19h30, na Rua Fabiano Fani de Nicola. As acusadas teriam agido por motivo torpe: vingança após uma discussão envolvendo uma festa realizada enquanto uma conhecida do grupo estava presa.
A denúncia narra que, após um desentendimento e luta corporal, uma das acusadas teria ameaçado uma das vítimas dizendo que “aquilo não ficaria assim”. Pouco tempo depois, as duas irmãs saíram em uma motocicleta à procura das jovens.
Perseguição e tiros
Ao avistarem as vítimas em outra moto, as irmãs iniciaram uma perseguição. Durante o trajeto, vários disparos de arma de fogo foram efetuados. Uma das jovens foi atingida por quatro tiros, enquanto a outra levou um disparo. Com os ferimentos, as vítimas perderam o controle da motocicleta e caíram ao chão.
Mas a violência não parou por aí. Segundo consta nos autos do processo, mesmo após a queda, a acusada que estava armada entrou em uma residência para onde as vítimas correram em busca de socorro. Lá dentro, ela apontou a arma para a cabeça de uma delas e apertou o gatilho duas vezes. A arma falhou nos dois disparos. As rés fugiram em seguida.
Motivo torpe e concurso de agentes
O Ministério Público sustenta que os crimes só não foram consumados por circunstâncias alheias à vontade das acusadas – os disparos não atingiram órgãos vitais e a arma apresentou falha no momento em que poderia ter ocorrido a execução.
As duas irmãs respondem por dupla tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e concurso de agentes. Se condenadas, podem pegar penas severas, que serão definidas pelos jurados em plenário.
Julgamento aguardado
O caso, que tramita desde 2016, abre oficialmente o calendário do Tribunal do Júri em 2026 na cidade e deve mobilizar familiares, amigos das vítimas e a comunidade. A expectativa é de um julgamento tenso, já que se trata de um crime que marcou o bairro Margareth Vargas há quase uma década.
Familiares das vítimas e das rés devem comparecer ao Fórum para acompanhar a sessão, que pode se estender por todo o dia, dependendo da complexidade dos debates e da quantidade de testemunhas.
