Em um ano de eleições presidenciais, uma ferramenta gratuita criada por estudantes da Universidade de São Paulo (USP) promete ajudar milhões de brasileiros a fugir das armadilhas da desinformação. Trata-se de um robô (chatbot) que funciona diretamente no WhatsApp e é capaz de dizer, em poucos segundos, se uma notícia é verdadeira ou falsa.
Batizado de “Tá Certo Isso AI?”, o sistema utiliza inteligência artificial multimodal e já conquistou dois prêmios internacionais. O grande diferencial é a praticidade: o usuário não precisa sair do aplicativo de mensagens para fazer a checagem.
Como funciona?
Para usar a ferramenta, basta salvar no celular o número +55 (35) 8424-8271 e enviar qualquer conteúdo suspeito por ali. O bot aceita tudo: textos, links, imagens, vídeos, áudios e até figurinhas.
Em segundos, a inteligência artificial devolve uma análise completa. Ela divide a informação em partes e classifica cada trecho com um de quatro possíveis vereditos:
- Verdadeira
- Falsa
- Fora de contexto (quando a informação é real, mas está sendo usada para contar outra história)
- Sem fontes suficientes para verificar (uma categoria criada para evitar que a IA “invente” respostas quando não há dados confiáveis)
Aliado contra fake news em grupos
O robô também pode ser adicionado a grupos de WhatsApp. Assim, quando alguém compartilhar uma mensagem duvidosa, qualquer participante pode marcar o bot com o símbolo “@” e pedir a verificação na hora. O resultado aparece para todo mundo, ajudando a conter a corrente de desinformação.
A escolha do WhatsApp como plataforma é estratégica. O aplicativo está presente em 99% dos smartphones brasileiros e é usado por até 96% da população. É também o principal canal de disseminação de notícias falsas, especialmente em períodos eleitorais.
Banco de dados público
O “Tá Certo Isso AI?” vai além da ajuda individual. Cada consulta feita alimenta, de forma anônima, um painel de dados disponível no site www.tacertoissoai.com.br. Ali, pesquisadores, jornalistas e o público em geral podem acompanhar, em tempo real, quais são os assuntos mais alvos de fake news, quais formatos (texto, imagem, vídeo) são mais usados para enganar as pessoas e como a desinformação se espalha ao longo do tempo.
Com a aproximação das eleições de 2026, a ferramenta surge como um recurso simples e acessível para ajudar o eleitor a não cair em mentiras e tomar decisões mais conscientes.
